São Paulo, 04 (AE) - A corregedora do Serviço Público Municipal, procuradora Cynthia Sinisgalli Reginato, deixou hoje o cargo, dez meses após substituir na função o vice-prefeito Régis de Oliveira (PMN). Cynthia pediu demissão alegando que, por acúmulo de trabalho, não podia mais acumular o cargo com a direção do Departamento de Procedimentos Disciplinares (Proced), órgão da Secretaria dos Negócios Jurídicos. Cynthia não fez nenhuma crítica ao prefeito ao sair, mas acusou os vereadores e o secretário de Governo, Carlos Augusto Meinberg, de emperrar o projeto na Câmara que cria oficialmente a Corregedoria, hoje funcionando improvisadamente.
Ela disse que, se a Corregedoria tivesse cargos próprios, como prevê o projeto na Câmara, haveria mais estrutura para investigações. A Corregedoria foi criada pelo prefeito Celso Pitta (PTN) em dezembro de 1998, com o objetivo de investigar denúncias sobre a máfia dos fiscais. Régis foi demitido no fim de maio, dias após fazer uma visita surpresa à Administração Regional de Vila Mariana. Pitta criticou o personalismo do vice. Régis disse que precisava de independência.
Logo após assumir o cargo, Cynthia enviou um substitutivo ao projeto que estava em discussão na Câmara. Ela baseou-se na estrutura de outras corregedorias existentes. Mas a votação ficou parada. "Deve-se perguntar aos senhores vereadores por que eles esqueceram desse projeto", disse. "Por que o Meinberg
que cuida da parte política, não estimula, não empurra esse andamento?"
Sem cargos - Cynthia afirmou que a atual Corregedoria tem computadores e material para investigações, mas tem seu poder limitado pela falta de cargos próprios. "Poderíamos ter alguém que fizesse trabalho de campo", disse. "Não tenho poder de polícia." Ela citou engenheiros e contadores como profissionais que poderiam ajudar nas investigações, caso a Corregedoria fosse criada oficialmente pela Câmara.
Quando Pitta foi afastado pela Justiça, o vice-prefeito declarou que uma das medidas que tomaria quando assumisse seria fazer "voltar a funcionar" a Corregedoria. Cynthia considera que a frase nem merece resposta. Segundo ela, foram abertos 2 mil processos no período. Na época em que o prefeito indicou a diretora do Proced para o cargo, o líder do PT na Câmara, José Eduardo Martins Cardozo, ironizou a escolha. "A idéia de um corregedor subordinado ao prefeito é ridícula e só poderia sair da atual administração", afirmou.
A procuradora disse que não se abala com as críticas e sai com a consciência limpa. "Nunca me envolvi com política", afirmou. Ela voltou há pouco tempo de uma licença-trabalho: havia quebrado o pé. Durante sua ausência, a orientação no órgão era encaminhar os repórteres à Secretaria de Comunicação Social - assessoria direta do prefeito. "É um absurdo, pois a Corregedoria deve ser independente, mas não posso responder pelo que outros fizeram", disse Cynthia.
Polícia - A diretora do Proced não considera que a Corregedoria só investigou funcionários de escalões mais baixos. Disse que sempre ajudou a polícia, quando procurada. "Mas só os delegados Juliana (Godoy Rodrigues) e Itagiba (Franco), do Dird, solicitam documentos", disse. "Foi uma pena ela sair", afirmou hoje Itagiba, um dos delegados da força-tarefa que investiga irregularidades na administração. "É uma pessoa séria e sempre trocávamos informações." Entre os promotores, Cynthia só citou o nome de um membro da Promotoria da Cidadania, que pediu dados sobre um caso envolvendo omissão da Administração Regional de Vila Prudente.
No lugar de Cynthia assumiu o procurador Sérgio de Oliveira, que trabalhava no gabinete do secretário dos Negócios Jurídicos, Edvaldo Brito. A reportagem o procurou por telefone durante a tarde, mas a informação na sede da Corregedoria era de que ele estava fora. O secretário Meinberg foi procurado à tarde em seu gabinete, mas não respondeu às ligações. O assessor de Comunicação de Pitta, Antenor Braido, disse que Pitta e Meinberg pediram regime de urgência para a votação da lei que cria a Corregedoria. "O esforço foi feito, mas o projeto não avançou como deveria", afirmou Braido.

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