Corregedor-geral afirma que Pascoal agiu com 'bandido'
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domingo, 08 de agosto de 1999
Por Hugo Marques (especial para a AE) 
Brasília, 09 (AE) - O corregedor-geral da Câmara, Severino Cavalcanti (PPB-PE), disse hoje que o deputado Hildebrando Pascoal (PFL-AC) agiu como "bandido" se realmente afirmou que todos os parlamentares recorrem a expedientes ilegais para se eleger. Ao depor à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) na quinta-feira (05), Pascoal assumiu a autoria de bilhetes de salvo-conduto a traficantes e contrabandistas e disse que todos os parlamentares do Congresso são iguais a ele.
Severino deverá apresentar à Mesa Diretora da Câmara novo pedido de abertura de processo de cassação do mandato do parlamentar do Acre. Cavalcanti estava viajando para a Argentina e soube hoje do depoimento de Pascoal à CCJ. Ao se comparar a todos os parlamentares do Congresso e dizer que todos são iguais a ele, disse Cavalcanti, Pascoal pode ter quebrado o docoro parlamentar. "Isso é coisa de bandido", disse.
"Discordo em gênero, número e grau da afirmação dele", disse Severino. "Pelo menos no meu Estado, deputado não protege bandido nem traficante."
O corregedor-geral acha que a comparação é quebra de decoro. "Essa afirmação dele muda um pouco a história", disse Cavalcanti, que deverá embasar o parecer a partir das próprias declarações de Pascoal.
O primeiro pedido de cassação que Cavalcanti entregou à Mesa, em fevereiro, foi rejeitado até mesmo por deputados do PT e do PSB, pois os parlamentares entenderam que os crimes foram cometidos antes do mandato e que caberia exclusivamente ao Supremo Tribunal Federal (STF) tomar a iniciativa de processar Pascoal.
Cavalcanti acredita que, desta vez, a Mesa da Câmara irá aceitar o pedido de abertura de processo de cassação de mandato. "A afirmação de que ele protege o narcotráfico é muito grave", disse Cavalcanti. "É muito grave a audácia de um parlamentar que faz uma declaração dessas; acho que tem de ir para a cassação de mandato."
O corregedor-geral culpou a Justiça pela eleição de Pascoal. "O STF deu as condições para ele disputar as eleições", disse. Cavalcanti admitiu que o deputado do Acre se transformou numa pessoa incômoda para todo o Congresso, uma "bomba" que está prestes a estragar a imagem da casa. "Estamos procurando ver como explodir esta bomba."
O corregedor-geral disse que as acusações de Pascoal ao ouvidor agrário nacional, Gercino José da Silva Filho, também serão anexadas ao pedido de cassação de mandato. Ex-presidente do Tribunal de Justiça (TJ) do Acre, Silva Filho investigou os crimes de Pascoal, que o xingou de "canalha" e "corrupto" na audiência da CCJ.
Antes de redigir o pedido de cassação, o corregedor-geral da Câmara pretende ouvir amanhã (10) o superintendente da Polícia Federal (PF) no Acre, Alberto Paixão. Hoje, Cavalcanti colheu o depoimento da secretária de Segurança Pública do Acre, Salete Maia. Ela disse desconhecer suposto esquema montado por Pascoal para matar testemunhas, até mesmo ela, mas disse que sofreu ameaça de morte do deputado.
Salete disse que, na época que era procuradora de Justiça, começou a investigar um incidente envolvendo Pascoal e que este a ameaçou dentro da Procuradoria. "Ele disse que me mataria com uma faca no meio da rua", disse a secretária. Salete disse que o Acre vive uma "inquietação das forças de segurança". Segundo ela, em decorrência do "temperamento violento do deputado e de seus familiares".


