Brasília - O corregedor da Câmara, Luiz Piauhylino (PTB-PE), garantiu que trabalhará com rapidez, cumprindo os prazos regimentais, na apuração do suposto envolvimento do presidente do PP, deputado Pedro Corrêa (PE), com contrabandistas, como apontou o relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pirataria. O relatório chegou ontem à assessoria técnica do corregedor, mas ainda não foram encaminhados pela CPI os anexos contendo documentos que supostamente atingem o parlamentar. Existe pressão política para que a investigação sobre a suposta participação de Corrêa no caso não seja investigada, mas Piauhylino prometeu conduzir toda a investigação normalmente.
Na terça-feira o corregedor pretende entregar ao presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), um organograma dos trabalhos. Para isso, sua assessoria deverá trabalhar durante este final de semana analisando o relatório de 244 páginas. ''A Câmara tem sido muito diligente e rápida e o presidente João Paulo deu uma posição firme sobre isso'', afirmou Piauhylino, sobre as declarações do presidente da Casa de que as investigações devem ser feitas e que todos os que cometeram atos ilícitos devem ser punidos, com mandato parlamentar ou não.
A corregedoria recebeu a denúncia da CPI de suposto envolvimento de Corrêa com contrabandista no ano passado, mas o processo não andou na Casa. Piauhylino argumentou que ficou à espera das fitas com gravações que supostamente incriminam Corrêa, mas que a 10 Vara de Justiça Federal não as enviou.
Corrêa e sua filha, Aline, são citados na CPI por suposto envolvimento com Ari Natalino da Silva, que responde a diversos processos por sonegação e contrabando. De acordo com investigações da CPI, conversas gravadas com autorização judicial revelam Natalino tratando de suposto pagamento mensal de R$ 200 mil ao deputado. Como presidente do PP, partido da base governista, Corrêa participa do conselho político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O deputado Luiz Antonio de Medeiros (PL-SP), apontou pressões políticas na Câmara para evitar que a comissão aprofundasse os trabalhos em torno de Corrêa e de sua família.
Na frente de defesa de Corrêa, o deputado Ricardo Barros (PP-PR) afirmou que não há fato novo no relatório da CPI. ''Até agora não vi envolvimento direto do deputado. A denúncia é requentada. Houve alguma motivação política para criar desgaste para ele (Corrêa), porque, efetivamente, tudo já era sabido há muito tempo'', disse Barros.

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