Das agências,
de Porto Alegre
O sargento da Polícia Militar Adílson Panek, que trabalhou na operação de resgate do acidente na BR-470, em Santa Catarina, disse nunca ter visto algo semelhante em 20 anos de trabalho. Impressionado, ele afirmou que a maioria dos corpos ficou mutilado, alguns irreconhecíveis.‘‘Havia corpos dilacerados, um sem a cabeça e outros divididos ao meio; a gente pegava na pessoa e a carne se soltava, não dava para saber quem era’’, contou ontem. ‘‘Outros corpos ficaram no meio das ferragens e tivemos que levantar o ônibus para retirá-los.
Para o policial, o motivo do acidente foi imprudência do motorista do ônibus da Argentina que, conduzindo um veículo pesado e em ‘‘um declive muito acentuado’’, estaria a mais de 80 quilômetros por hora. Panek criticou o comportamento dos motoristas argentinos nas estradas catarinenses. ‘‘Eles abusam de ultrapassagens e na velocidade’’, disse . O policial lembrou que o motorista do ônibus da Gimenez Viajes ignorou ‘‘o perigo que é uma serra’’.
A direção da empresa Reunidas S.A. Transportes Coletivos também acredita que a causa do acidente se deva à imprudência do motorista argentino. ‘‘Fizemos alguns levantamentos com o pessoal especializado da empresa no local do acidente. O motorista argentino deve ter dormido. Foi uma imprudência total por conta dele’’, afirmou Doreni Caramori, diretor administrativo e operacional da Reunidas.
Ele disse que, pela posição dos veículos na BR-470, o ônibus da Argentina colidiu em um barranco. Caramori não vê necessidade de uma nova perícia. ‘‘A polícia já fez o teste para saber se o motorista argentino estava alcoolizado. Nossa preocupação agora é saber se a empresa dele tem seguro.’’ Segundo ele, o ônibus da Reunidas tinha seis anos de uso, mas estava em boas condições. No trecho em que ocorreu o acidente, segundo ele, não é possível desenvolver alta velocidade.

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