Corpos de três turistas permanecem em Foz do Iguaçu
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segunda-feira, 06 de setembro de 1999
Por Mauri Konig, especial para a AE 
Foz do Iguaçu, PR, 07 (AE) - Por causa do feriado e da burocracia alfandegária, só amanhã (08) - três dias depois do acidente de barco matou sete pessoas, domingo, nas Cataratas do Iguaçu, em Foz do Iguaçu (PR) -, os corpos de dois turistas franceses e de um chileno serão transferidos para seus países. Os três portugueses que também morreram no acidente foram removidos hoje para Lisboa. O piloto brasileiro Cândido Siqueira
23 anos, foi enterrado na segunda-feira.
Os corpos dos portugueses foram transportados no vôo 161 da Varig para São Paulo, de onde seguiriam para Lisboa. O casal Manoel José Saramago Areias Pereira, 50, e Ester Alves Osório Areias Pereira, 45, morava havia um ano no Brasil. Ele era diretor técnico da Empresa Bandeirante de Energia. Outro funcionário da empresa, Antônio Baia Patrão, 48, também morreu no acidente de barco. A liberação dos corpos foi providenciada pelo diretor-administrativo da empresa, Eduardo José Berninni.
Já os corpos do chileno Jorge Alcazar Cruz, 62, e do casal francês Guy Andre Jean Biscay, 55, e Bernadette Madellaine Guerre Biscay, 57, permaneciam até o final da tarde de hoje no Instituto Médico-Legal (IML) de Foz. A empresa Ilha do Sol Turismo e Navegação, dona dos barcos envolvidos no acidente, insistia com o IML para que eles fossem pelo menos embalsamados. A empresa informou, ainda, que o seguro obrigatório pagará um prêmio de R$ 5,1 mil referente a cada uma das vítimas.
Além do feriado nacional, a burocracia alfandegária do Brasil e da França adiou para amanhã a remoção dos corpos do casal Guy e Bernadette Biscay. Cabe à Vigilância Sanitária a liberação, à Polícia Federal fazer o termo de reconhecimento dos corpos e à Receita Federal lacrar a urna funerária com o visto dos consulados dos países de origem.
"Ainda estamos aguardando a autorização da França para que os corpos possam entrar no país", informou À reportagem a consulesa honorária do País em Foz, Silvi Rouchon. Outro dois turistas franceses, Jean Pierre Salvager e Marie Helene Salvager
ficaram levemente feridos no acidentes e foram medicados na Santa Casa de Foz. Na segunda-feira eles prestaram depoimentos à Polícia Civil e voltaram para a França.
O empresário chileno Raul Alcazar Cruz chegou hoje a Foz do Iguaçu para retirar do IML o corpo do irmão, o médico Jorge Alcazar Cruz. O translado para Santiago - onde morava a vítima - só será feito amanhã, possivelmente com baldeação em São Paulo, já que não existe vôo direto de Foz para o Chile.
A Capitania dos Portos do Rio Paraná concluiu a vistoria nos barcos envolvidos no acidente e, segundo informações extra-oficiais, não existem indícios que apontem falha mecânica nas embarcações. O comandante da Capitania dos Portos em Foz, capitão-de-fragata Luís Carlos de Oliveira, prevê uma demora de até dois meses para a conclusão do inquérito administrativo, que deve ser julgado pela Marinha no Rio de Janeiro.
O piloto do barco que ficou sobre as vítimas, Neri Carlos Lysik, 39, só vai se apresentar à Polícia Civil na quinta-feira. O depoimento, que deveria ter ocorrido ontem, foi transferido a pedido da Promotoria de Justiça, que quer acompanhá-lo.
Os depoimentos dos turistas que estavam nos dois barcos inocentam Lysik. Segundo eles, o piloto da lancha menor, Cândido Siqueira, teria cruzado a frente da embarcação que seguia em sentido contrário.
O depoimento de Lisik é o mais esperado porque pode esclarecer os motivos que podem ter levado Siqueira a fazer a manobra errada. Este foi o mais grave acidente ocorrido no interior do Parque Nacional do Iguaçu, onde estão localizadas as Cataratas. O passeio de barco, conhecido como Macuco Safári, foi suspenso por tempo indeterminado pelo Instituto Brasileiro de Recursos Naturais Renováveis (Ibama). No lado argentino do parque o mesmo tipo de passeio continua sendo feito normalmente.


