Os corpos dos três jovens mortos no domingo (24) à noite, em um acidente na Avenida Dez de Dezembro, próximo ao viaduto da Rua Bolívia, em Londrina, serão sepultados nesta terça. Matheus Lopes Felicio, de 18 anos, morreu na hora, após o Vectra colidir em uma árvore. Uma adolescente de 16 anos foi atendida pela equipe do Siate, mas morreu a caminho do hospital. Layra Gioavana da Silva Moreira, de 19, foi encaminhada ao Hospital Universitário (HU), onde morreu durante a madrugada. Duas pessoas estão internadas em estado grave. Segundo a polícia, o veículo era conduzido por um adolescente de 15 anos. Ele teve ferimentos leves e foi liberado horas depois do acidente. Um inquérito policial deve ser instaurado hoje para apurar, além das causas do acidente, como o adolescente teve acesso ao veículo.
O delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial (SDP) de Londrina, Sebastião Ramos dos Santos Neto, informou que a documentação do veículo está no nome de uma pessoa com envolvimento com o crime. "Ainda não sabemos a ligação desses adolescentes com o proprietário do veículo que consta na documentação", afirmou.
Informações preliminares divulgadas pelo Instituto de Criminalística mostraram que "o automóvel transitava em alta velocidade pela via". A máxima permitida na Dez de Dezembro é de 70 km/h. O laudo também apontou que o Vectra estava com os dois pneus dianteiros carecas.
De acordo com a Criminalística, há uma marca de frenagem 17 metros antes do local exato da batida. O Vectra ainda percorreu outros 13 metros sobre a guia antes da colisão. A perícia não encontrou nenhuma garrafa de bebida alcoólica ou indícios do lugar onde os jovens estariam antes do acidente.
A morte deles elevou para nove os casos de jovens que perderam a vida em acidentes no trânsito com envolvimento de motoristas menor de idade desde janeiro de 2015, segundo dados do Placar do Trânsito, da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanismo (CMTU).
É o segundo caso em menos de dois meses. No dia 5 de junho, um rapaz de 17 anos perdeu o controle do carro e bateu contra um poste no Jardim Coliseu (zona norte).
A psicologa Julieta Arsênio, especialista de comportamento no trânsito e diretora da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego, considera nove mortes, em um ano e meio, uma estatística muito alta. E acredita que é preciso "incutir nos pais de filhos de 14, 15 anos, a noção que esse filho não pode dirigir. É preciso falar não."
A Polícia Militar atendeu no primeiro semestre deste ano 20 acidentes envolvendo menores de idade dirigindo. "É uma situação complicada. Os acidentes envolvendo menores costumam ser bem trágicos. Os pais precisam ficar mais atentos com quem os filhos estão andando", comentou Maitê Baldan, porta-voz da PM.

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