KEARNY, EUA, 08 (AE) - Os corpos de dois brasileiros, um homem e uma mulher mortos em circunstâncias diferentes, estão no porão da casa funerária Las Americas, a mais barateira de Paterson, há 12 e 16 dias, respectivamente, por problemas burocráticos e financeiros. A situação mobiliza a comunidade de imigrantes, que quer evitar que os corpos sejam entregues à faculdade de medicina local.
A solução do impasse depende de acertos entre as prefeituras de Ponta Grossa (PR), de Paterson e da vizinha Newark, do consulado brasileiro, de autoridades civis municipais e estaduais e militares norte-americanas, das famílias dos mortos, que são do Paraná e de Santa Catarina, da associação de imigrantes Baua e, finalmente, de Elda, a dona da funerária.
O caso mais urgente é o do operário paranaense Valdomiro Luz, de 51 anos, vítima de um acidente de trabalho na base militar de Harrisburg, na Pensilvânia, no dia 28. O corpo, que deveria ter sido liberado pelas autoridades no sábado, acabou retido por um inquérito até terça-feira e depois por uma disputa legal para saber quem seria responsável pelo defunto.
O cadáver dele passou a quarta-feira rodando numa ambulância entre os Estados da Pensilvânia e de New Jersey, em busca de uma funerária barata, até ser despejado na filial de Paterson da Las Americas. O motorista, exasperado e sem saber onde entregar o corpo, ia jogando gelo no caixão, para amenizar a situação - o litoral leste norte-americano está enfrentando uma onda de calor recorde.
Hoje, o impasse continuava. A família quer o corpo trasladado para Curitiba, mas não tem dinheiro - Valdomiro estava desempregado no Brasil. A prefeitura de Ponta Grossa, de onde ele era natural, ofereceu US$ 2 mil. A funerária quer US$ 5 mil e não regateia. Os U$ 2 mil, se saíram do Brasil, não chegaram, provavelmente por causa de um feriado bancário na segunda-feira.
O consulado brasileiro esteve funcionando em meio expediente a maior parte da semana e, apesar de vários pedidos, não pôde intervir. A Baua passou o chapéu no restaurante Casa Nossa, durante o jogo Brasil e México, para completar o total, sem sucesso.
Fiscais da prefeitura de Paterson querem o cadáver retirado da cidade, porque passou do prazo de permanência insepulto. A prefeitura de Newark, onde Valdomiro vivia, entrou na parada e requisitou o corpo, para cedê-lo à faculdade de medicina local.
O segundo caso é o da dançarina catarinense Neusa dos Santos, de 42 anos, encontrada morta numa pensão, no dia 23. Por falta de autorização do consulado, o corpo dela não pôde ser cremado. Está no porão da funerária, no chão, coberto por um lençol ensopado em conservantes - o local não tem refrigeração.

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