Corpo encontrado no Paraguai pode não ser do juiz Leopoldino Amaral
Cuiabá, 03 (AE) - O corpo enterrado em Mato Grosso no início do mês passado, como sendo do juiz Leopoldino Marques do Amaral,pode não ser o do magistrado. A viúva do juiz, Odete Amaral, disse que está sendo pressionada por pessoas ligadas ao Judiciário para que seja realizada a exumação do corpo sepultado no município Poconé (a 100 km de Cuiabá).
"Já contei para a Polícia Federal que eles querem exumar o corpo em 10 dias", disse ela. A suspeita de que a identificação do corpo pode ter sido equivocada surgiu após a conclusão preliminar dos exames de paternidade realizados em Odete e nos filhos Leopoldo, Rita e Carla, que deram negativo.
O coordenador-geral de perícias do Instituto Médico Legal (IML) de Mato Grosso, Alinor Costa, entregou hoje ao laboratório da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) novas amostras de material genético da mãe e de dois irmãos do juiz Amaral, cujo suposto corpo foi encontrado no dia 7 do mês passado no Paraguai. As novas amostras foram necessárias porque há dúvidas quanto a paternidade dos filhos de Amaral, que forneceram as primeiras coletas.
"As comparações da arcada dentária e das impressões digitais são categóricas", sustenta o legista Costa. "Não há a menor dúvida de que se trata do corpo do doutor Leopoldino". Segundo o legista, para a realização do exame cadavérico de DNA foram recolhidas amostras do corpo parcialmente carbonizado, encaminhadas para a Unicamp. Se houver necessidade, disse ele, será feita a exumação para a comprovação e cruzamento de dados e informações genéticas da família do juiz.
Além das provas do exame de paternidade, outra suspeita da identificação do corpo de Amaral foi lançada pelo juiz Dirceu do Santos, no Rio Grande do Sul, durante congresso de magistrados ocorrido em Gramado (RS), na semana passada. Dirceu, que acompanhou a identificação do corpo encontrado no Paraguai representando a Associação Mato-Grossense de Magistrados (AMAM), disse que o exame de DNA poderia dar negativo, mostrando que Leopoldino do Amaral não estaria morto. O legista Alinor Costa está em Piracicaba acompanhado por seguranças. "Sempre há riscos porque ainda não há nenhum resultado oficial da análise das primeiras amostras encaminhadas", disse ele por telefone. "Por causa da importância do caso, precisamos ter estes resultados em 30 a 45 dias".
O Procurador da República José Pedro Taques disse que para a Polícia Federal, a Justiça Federal e o Ministério Público Federal esta informação é irrelevante por não ter relação direta com a investigação do assassinato. "No momento em que for colocada dúvida sobre esse fato, temos mecanismos adequados para pedir novas provas", assegurou ele. "Nós reconhecemos os laudos produzidos pelo IML, que dão conta que o cadáver é mesmo do juiz Leopoldino".





