CORPO EM EQUILÍBRIO - Cura na ponta da agulha
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domingo, 29 de maio de 2005
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Por milhares de anos, a civilização oriental fez da observação do corpo humano, a base da sua medicina. Cores, consistência, aparência, formato, sutilezas, normalidades e anormalidades de todas as partes do corpo foram observados. Unhas, cabelos, olhos e pele, e a interação do homem com a natureza - tudo foi atentamente descrito pelos médicos orientais.
Dessa prática, de respeitar o corpo como um templo que não podia ser dilacerado, o diagnóstico avançou de tal maneira que ao médico bastava olhar para saber o que havia de errado. Com uma vantagem - a construção do que é hoje a tradicional medicina chinesa foi pautada principalmente pela prevenção de doenças. E a acupuntura, apenas uma das técnicas chinesas criada há mais de cinco mil anos, é atualmente uma das mais populares no Ocidente. Usada, paradoxalmente, para curar ''os males da vida moderna''.
Estresse, depressão, insônia, enxaqueca, dores no corpo, prisão de ventre, fadiga crônica e até taquicardia estão entre as doenças tratadas pela acupuntura, conforme o psicólogo e acupunturista Milton Sadao Saito, de Tupã (SP) que atende também em Londrina. ''A Organização Mundial da Saúde (OMS) lista mais de 60 moléstias que podem ser tratadas com a acupuntura'', ressalta.
Sadao explica que a acupuntura parte do princípio que o ser humano é movido por uma energia vital, chamada Chi (pronuncia-se Tchi), com dois pólos, o positivo (yang) e o negativo (yin). ''É a energia que impulsiona todas as atividades do organismo'', afirma.
As doenças acontecem, explica, quando há bloqueio no fluxo natural dessa energia pelo corpo. Bloqueios que são causados por fatores como a má alimentação, lesões, e emoções, como raiva, medo, tristeza, preocupação excessiva e ansiedade, que interferem no equilíbrio do organismo. ''Na vida moderna, a maioria das doenças é provocada pelo estado emocional, inclusive o câncer'', alerta.
O que as agulhas da acupuntura fazem então, segundo o acupunturista, é desobstruir esses bloqueios, harmonizando o organismo. Na acupuntura auricular, uma das especialidades de Sadao, esse ''desbloqueio'' é feito em pontos na orelha, cada um correspondente a uma parte ou órgão do corpo. Ele usa um aparelho chamado detectador auricular para ''medir'' a energia de cada ponto e descobrir os bloqueios.
Para manter um estímulo constante nos pontos auriculares são usadas minúsculas agulhas e sementes de mostarda chinesa. Na acupuntura sistêmica, são usadas agulhas em pontos de maior circulação de energia conhecidos como meridianos, que também correspondem a órgãos e partes do corpo.
''A grande vantagem da acupuntura auricular é que ela está fazendo efeito enquanto a pessoa está almoçando, trabalhando'', explica Sadao, que costuma usar a acupuntura sistêmica (com agulhas) principalmente para dores físicas. ''Nestes casos, a sistêmica é mais rápida e eficiente'', afirma.
Para o especialista, a grande diferença da medicina oriental é que ela trata a pessoa inteira e não partes do corpo. ''A visão ocidental é cartesiana, divide o organismo. Se a pessoa tem problema no coração, precisa ir ao cardiologista, e assim por diante'', diz, ressaltando que na medicina oriental, busca-se a causa do problema.
Ele explica que assim, uma ''simples'' dor de garganta pode ser um grito contido, um pedido de socorro ou uma insatisfação que não pode ser colocada para fora. ''Neste momento, a pessoa está com uma energia baixa, em desequilíbrio, e mais vulnerável ao vírus. Se a raiz do problema não for resolvida, o antibiótico não faz efeito'', exemplifica.
Para ele, o ideal é associar benefícios conquistados com a tecnologia ocidental com a sabedoria oriental. ''Há casos, por exemplo, que é necessário uma cirurgia e a acupuntura não pode fazer nada'', finaliza.
*Serviço:
Contato pelos telefones (43) 3324-3388 e 3323-0046 em Londrina ou (14) 3496-5764 em Tupã (SP).


