São Paulo, 11 (AE) - O corpo do médico Waldemar de Carvalho Pinto Filho, que, nos últimos dez anos, foi provedor da Irmandade Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, foi enterrado hoje. A cerimônia, realizada pela manhã no Cemitério Gethsemani, na capital, foi acompanhada por cerca de cem pessoas, entre familiares e amigos. Ele morreu ontem, aos 70 anos, deixando a mulher, Vera de Carvalho Pinto, os filhos Ana Maria, Ana Cecília e Waldemar, além de genros, noras e netos.
Filho de médico, Waldemar Carvalho Pinto Filho teve sua existência ligada à Santa Casa desde menino. "Seu pai era oftalmologista, e ele frequentava a Santa Casa quando era criança. Quando se formou, continuou ligado à instituição, como médico e, no fim da vida, como provedor", explica Octávio de Mesquita Sampaio, vice-provedor da Santa Casa, que está interinamente à frente da entidade. Carreira - O provedor formou-se em 1954 na antiga Escola Paulista de Medicina, a atual Universidade Federal de São Paulo. Posteriormente, especializou-se em ortopedia, assumindo a função de assistente voluntário no Departamento de Ortopedia e Traumatologia da Santa Casa, entre 1955 e 1961, ano em que foi efetivado.
Em 1980, assumiu a direção do Departamento de Ortopedia e Traumatologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa, onde foi professor e exerceu a função de diretor, entre 1985 e 1990. Naquele ano, foi eleito provedor da entidade. Ao morrer, estava em seu segundo mandato de provedor. Também era conhecido internacionalmente. Publicou artigos acadêmicos, foi membro de diversas sociedades e trabalhou como residente estrangeiro na Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos, entre 1966 e 1967. Dinamismo - Sua principal característica como provedor da Santa Casa foi o dinamismo, conforme define o superintendente da instituição, médico Antônio Carlos Forte. "Ele foi um marco na história da Santa Casa, que pode ser dividida em dois períodos, antes e depois do doutor Waldemar", analisa Forte. "A gestão dele permitiu que a instituição crescesse e se transformasse em um hospital de referência".
Na opinião de Francisco de Mesquita Neto, diretor-superintendende do Grupo Estado, a Santa Casa conseguiu, na gestão do doutor Waldemar, resistir às dificuldades impostas pelo "desprezo governamental às entidades sérias". "Ele assegurou a quantidade e a qualidade do atendimento, principalmente aos necessitados". Ao longo da história da Santa Casa, diretores do "Estado" ocuparam cargos na mesa administrativa da entidade, entre eles Julio de Mesquita Filho e Julio de Mesquita Neto.
Complexo hospitalar - A Irmandade da Santa Casa de Misericórdia é composta por cinco hospitais, que oferecem 2.300 leitos. Além disso, a Irmandade é responsável pela administração de um hospital para deficientes mentais do Estado de São Paulo, na Vila Mariana, e mantém duas entidades educacionais - o Colégio São José e a Faculdade de Medicina da Santa Casa. Só no ambulatório, são prestados cerca de 5.800 atendimentos diários. Nos prontos-socorros são mais 2 mil.

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