Corpo de vendedor é enterrado em Uberlândia; Alexandre Pires deve ser ouvido em 20 dias
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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2000
Por Evaldo Magalhães 
Belo Horizonte, 10 (AE) - A Polícia Civil de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, só deve ouvir o cantor e líder do grupo Só Pra Contrariar, Alexandre Pires, no inquérito que investiga a morte do vendedor José Alves Sobrinho em 15 ou 20 dias. O vendedor morreu ontem (09) à noite, depois de três dias internado na UTI do Hospital de Clínicas da cidade. O corpo de Sobrinho foi enterrado hoje à tarde, no cemitério Bom Pastor, em Uberlândia.
Na manhã de domingo, a moto que Sobrinho pilotava foi atingida pelo jeep Cherokee dirigido por Alexandre Pires em uma avenida de Uberlândia. O cantor deixou o local antes da chegada da polícia e seu irmão, Fernando, é quem prestou socorro à vítima. Testemunhas disseram que ao perder o controle do veículo
em uma curva, Alexandre estava a cerca de 180 quilômetros por hora e embriagado.
Segundo o delegado de Trânsito Marco Antônio Noronha, o cantor será o último a ser ouvido no inquérito sobre o caso, aberto após a morte do vendedor. A justificativa é de que, antes
a polícia precisa receber os laudos periciais e de necrópsia do vendedor, que ficam prontos na semana próxima semana, e colher depoimentos de familiares da vítima e de testemunhas do acidente.
O advogado da família do cantor, Antônio Carlos Caixeta, esteve na delegacia e reforçou o pedido para que ele fosse intimado apenas depois do recebimento dos laudos. Ao final do inquérito, Alexandre Pires pode ser indiciado por homicídio culposo (sem intenção).
Enterro -Pelo menos quatro seguranças contratados pela família do padodeiro tentaram manter a imprensa afastada do velório e do sepultamento de Sobrinho, hoje à tarde, alegando que amigos e parentes do vendedor queriam privacidade. Os familiares de Sobrinho, que durante todo o tempo receberam assistência de pessoas ligadas ao cantor - Alexandre teria pago as despesas hospitalares e o funeral do vendedor -, pareciam ter sido orientados a não dar entrevistas.
Os silêncio começou na quarta-feira, quando os pais do músico, João e Maria Abadia Pires, estiveram no Hospital de Clínicas, logo após o anúncio da morte cerebral do vendedor, e reuniram-se a portas fechadas com os parentes dele.
Apesar disso, a reportagem conseguiu conversar, por telefone, com um cunhado de Sobrinho, que identificou-se apenas como Delecídio. Ele limitou-se a dizer que a família não pensa em pedir indenizações na Justiça nem lutar para que o cantor seja indiciado por homicídio. "Ninguém aqui quer saber disso", afirmou. "Não vamos mexer nem com polícia nem com a Justiça", completou.
Boatos em Uberlândia, no entanto, davam conta que os parentes do vendedor haviam contratado um advogado para tentar um "acordo" com Alexandre Pires, o que anularia a possibilidade de entrarem com uma ação judicial, o que poderia prejudicar a carreira do cantor e de seu grupo.


