France Presse
De Mônaco e Genebra
O enfermeiro americano que trabalhava para o banqueiro libanês Edmond Safra, encontrado morto sexta-feira em seu apartamento destruído por um incêndio criminoso, é considerado a testemunha-chave do crime pelos policiais e magistrados monegascos. Aos 31 anos e trabalhando para Safra há cinco meses, o enfermeiro levou duas facadas. Foi levado para o hospital Princesse Grace, onde já foi ouvido três vezes pela polícia. O corpo de Safra será enterrado hoje.
O promotor-geral, Daniel Serdet, insistiu várias vezes na necessidade de se ‘‘aprofundar’’ no depoimento do enfermeiro, mas ontem nenhuma informação foi divulgada à imprensa sobre seu último interrogatório. Polícia e promotoria se mantêm em silêncio.
Em seus depoimentos anteriores, revelados pelo promotor-geral, o enfermeiro disse que os dois agressores, encapuzados e armados, o espancaram e feriram-no no abdômen e na coxa, com um objeto cortante de dez centímetros que foi encontrado no apartamento de Safra.
Depois da agressão, o enfermeiro teve forças para chegar até onde estava o porteiro do edifício ‘‘Belle Epoque’’, seis andares abaixo, dizendo a ele que, como medida de proteção, havia levado Safra e sua enfermeira, Viviane Torrente, para o banheiro, pois eram ameaçados pelos invasores.
Quando a polícia chegou, uma espessa coluna de fumaça saía do apartamento de Edmond Safra, que se negou a deixar seu esconderijo apesar dos frequentes telefonemas de sua esposa, Lily. O banqueiro, de 67 anos, que se sentia ameaçado e estava obcecado com sua segurança, acabou morrendo de asfixia em sua fortaleza em um dos países mais vigiados do mundo.
Segundo a Justiça, depois do depoimento de Lily, ‘‘não houve no sábado novos elementos na investigação’’. Hoje será aberta uma investigação judicicial sobre o misterioso assassinato. Depois de fazer uma necrópsia, sexta-feira, a Justiça de Mônaco deu sua permissão para que a família pudesse enterrar o corpo de Safra. Os resultados dos exames confirmaram que o banqueiro e sua enfermeira morreram asfixiados. O corpo de Edmond Safra será enterrado na manhã de hoje (hora local) no cemitério judeu de Veyrier, em Genebra (Suíça).
A cerimônia fúnebre será realizada na sinagoga Beth Yacob, com a presença do escritor Prêmio Nobel da Paz, Elie Wiesel, que fará uma homenagem ao banqueiro. Seus restos seriam trasladados ontem à cidade suíça. O banqueiro, nascido em 1932, em Beirute, considerava Genebra como sua segunda cidade natal, segundo seus amigos.

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