Rio, 31 (AE) - O corpo da psiquiatra Nise da Silveria foi enterrado hoje à tarde no Cemitério São João Batista, em Botafogo, zona sul do Rio. Fundadora do Museu de Imagens do Inconsciente, ela morreu na tarde de sábado, aos 94 anos, de insuficiência respiratória. A médica estava internada havia um mês, por complicações decorrentes de uma cirurgia no ombro.
Durante toda a manhã, amigos da psiquiatra estiveram no velório, que não pôde ser fotografado, atendendo a um pedido de Nise. "Ela era uma pessoa de muita vida, dizia que não morreria: iria para outras galáxias", contou a antropóloga Luitgarde Cavalcante, ao justificar o desejo da amiga.
Nise condenava o tratamento de pacientes psiquiátricos com choque elétrico ou medicamentos. Ela fundou o Museu de Imagens do Inconsciente em 1952, como consequência de suas pesquisas de terapia ocupacional, e reuniu acervo de 300 mil pinturas de pessoas tratadas pela psicanalista.
Quatro anos mais tarde, a médica inaugurou a Casa das Paineiras, clínica de reabilitação psiquiátrica para evitar a reinternação. O objetivo era fazer uma ponte entre o hospital e a sociedade. Ali, os pacientes iriam adquirir auto-confiança para voltar ao convívio. "Ela deu mais que tinta, caneta e papel para essas pessoas: deu afeto e esperança de encontrar a cura para essa doença terrível que é a esquizofrenia", disse o diretor da casa, Franklin Chang. Nise fez questão de manter o cargo de diretora técnica até o fim da vida.

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