O corpo do médico, músico e artista plástico londrinense Sérgio Russo, que morreu na manhã de ontem no Hospital de Clínicas de Curitiba, será transferido de volta para a Capital às 10 horas de hoje para ser cremado. Ele foi trazido para Londrina na noite de ontem e está sendo velado no saguão da Câmara de Vereadores. Russo sofria há vários anos de insuficiência hepática e se recuperava de um transplante de fígado realizado no último domingo.
O médico, de 58 anos, era natural de São Caetano do Sul (SP) e veio para o Paraná em 1969. Em 1971 ele ingressou na 5 turma da faculdade de Medicina da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e, desde o início era o artista do grupo, como lembra um de seus colegas de turma, o diretor presidente da Unimed Londrina, Issao Udihara. ''Nossa turma sempre foi muito unida, rica em talentos, e um deles era o Sérgio. Logo no início do curso ele fez o desenho de um médico, que era a caricatura dele mesmo, e que chamou de dr. Perobal. Virou a o mascote da nossa turma e também da faculdade. É uma grande perda. Guardo grandes lembranças dele'', lamenta o médico.
Acometido por um quadro de hepatite durante o curso, Sérgio Russo acabou não se formando com sua turma, e após a conclusão do curso especializou-se em Desenho Médico na Universidade de Toledo/Ohio (EUA) e na Universidade Livre de Berlim, na Alemanha. Com dificuldades de encontrar espaço para seu trabalho no Brasil, morou durante 11 anos na Europa, onde ilustrou nove livros médicos - quatro deles parte de um importante Tratado de Cirurgia Ortopédica. Ao longo da carreira, recebeu vários prêmios em Congressos e Salões de Arte e realizou 53 exposições de arte, sendo nove delas na Alemanha. Em sua carreira como artista plástico foi responsável, entre outras obras em Londrina, pela restauração a lápis da edição número 1 da FOLHA DE LONDRINA.
Para o presidente da Associação Médica de Londrina (AML), Antonio Caetano de Paula, que também faz parte da turma de Russo na UEL, ele não era um simples desenhista. ''Por seu conhecimento médico, ele conseguia desenhar o corpo humano como poucos. Seu desenho anatômico era perfeito, e ilustrou a tese de muitos colegas.'' Russo era casado com Tereza Russo e deixa dois filhos.

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