Corpo de Kelly chega e causa confusão
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terça-feira, 27 de outubro de 1998
Roni Lima Agência Folha 
A chegada ontem ao Rio do corpo de Kelly Fernanda Martins, 26 anos, que morreu em Tel Aviv após, supostamente, denunciar um esquema de prostituição, foi bastante confusa. A direção do IML (Instituto Médico-Legal), para onde o corpo foi levado, chegou a requisitar o esquadrão antibomba para abrir o caixão. Um perito de nome Ivan informou que o esquadrão foi chamado porque havia o receio de que o caixão, vindo de Israel, poderia conter explosivos. O corpo chegou por volta das 7 horas no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, na Ilha do Governador (zona norte). Após seis horas de espera, foi encaminhado para o IML.
O caixão foi finalmente aberto logo depois das 18 horas. A pedido da Polícia Federal, peritos realizaram uma nova autópsia. O caixão havia chegado lacrado ao Rio após o corpo passar por perícia da polícia de Israel. A causa da morte ainda não foi identificada. Pouco antes de morrer, no dia 17 passado, Martins foi encontrada desacordada em uma rua de Tel Aviv. A mãe suspeita que a filha tenha sido envenenada, após denunciar que fora forçada a se prostituir em uma boate comandada por um mafioso de nome Yossi. Ela teria viajado achando que trabalharia em uma lanchonete, com salário de US$ 1,5 mil.
Após a chegada do corpo, a mãe de Martins, a empregada doméstica Selma Martins Rosa, se agarrou ao caixão e disse que fazia questão de ver a filha. O caixão foi então enviado para o IML. A advogada Cristina Leonardo, do Centro Brasileiro de Defesa da Criança e do Adolescente, que está dando apoio à mãe de Martins, disse que, apesar do contratempo, o corpo deverá ser enterrado hoje, às 16 horas, no cemitério São Francisco Xavier, no Caju (zona norte do Rio). Segundo ela, só na semana que vem devem chegar ao Rio as oito brasileiras que também teriam sido obrigadas a se prostituir em Tel Aviv. Elas foram resgatadas de um prostíbulo, na semana passada, por policiais israelenses.
A principal agenciadora no Rio do esquema internacional de prostituição em Israel é uma mulher de nome Suzana, moradora do subúrbio de Ricardo de Albuquerque, (zona norte) e mãe de uma prostituta chamada Rosana. A informação é de uma mulher que foi obrigada a se prostituir em Tel Aviv, mas conseguiu voltar ao Brasil. Ela pediu para não ter o seu nome revelado, pois já teria sido ameaçada de morte.
Segundo a mulher que falou ontem à reportagem, a agenciadora no Rio, Suzana, conta com a ajuda de um homem chamado Otávio, que mora na Tijuca (zona norte) e é pai de uma mulher de nome Célia. Suzana trabalharia também com uma mulher de nome Simone, que hoje moraria em Portugal. Morando em Tel Aviv, a carioca Célia trabalharia para Yossi, sendo supostamente o ponto de contato em Israel com o esquema de agenciamento no Rio controlado por Suzana.


