Corpo de jornalista pode ter sido jogado em charco
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segunda-feira, 10 de junho de 2002
Mario Hugo Monken<br>Agência Folha 
Rio de Janeiro - Nas buscas que fez ontem na tentativa de localizar o corpo do jornalista Tim Lopes, 51 anos, a polícia encontrou no alto da favela da Grota (zona norte do Rio) um charco que pode estar sendo usado como cemitério clandestino pela quadrilha do traficante Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, apontado como o principal responsável pelo crime.
As suspeitas da polícia são reforçadas pelo fato de 20 sapatos terem sido encontrados boiando ou espalhados às margens do lago.
Segundo o delegado-adjunto da 38ª DP (Delegacia de Polícia), Daniel Goulart, os sapatos seriam de pessoas mortas pelo bando de Elias Maluco. Os cadáveres teriam sido jogados no charco.
O charco começou a ser dragado ontem pelo Corpo de Bombeiros. Somente após a dragagem poderemos confirmar se há corpos no local, disse Goulart. A dragagem deverá ser concluída hoje.
Outra evidência de que haveria um cemitério clandestino é o fato de a polícia ter encontrado, a poucos metros do charco, cinco fragmentos de uma ossada (duas vértebras e pedaços de uma costela). Goulart disse não acreditar que os ossos sejam do jornalista, porque são antigos.
Próximo ao local, a polícia encontrou uma árvore com manchas vermelhas (possivelmente sangue) e marcas de tiros.
O delegado-adjunto da Delegacia de Homicídios, Bruno Gilaberte, disse que a polícia descobriu o charco por acaso. Ele afirmou que recebeu a informação de que o corpo de Lopes estaria em um campo de futebol e acabou encontrando o charco, que fica perto.
A operação na Grota começou por volta das 9h. A favela permaneceu ocupada pela polícia até o final da tarde. Cerca de 50 policiais civis participaram das incursões.
Desaparecido desde o dia 2, quando fazia uma reportagem na favela Vila Cruzeiro (zona norte) para a Rede Globo, onde trabalhava, Tim Lopes teve sua morte confirmada oficialmente após o depoimento de dois integrantes da quadrilha de Elias Maluco.
Eles relataram que o jornalista foi baleado, torturado e morto com golpes de espada pelos traficantes, além de ter o corpo carbonizado e enterrado no alto da Grota.
Em outra operação na favela da Grota, policiais do 16º Batalhão da Polícia Militar apreenderam uma granada, uma pistola, uma motocicleta roubada e 300 papelotes de cocaína.
O material, segundo a PM, pertenceria ao traficante Anderson Martins Carvalho, o Ratinho, um dos acusados de ter participado do assassinato de Tim Lopes.
Em depoimento à Polícia Civil, o dirigente da associação de moradores da Vila Cruzeiro, João Cerqueira, o João Rato, disse que os traficantes organizavam o baile funk, tema da reportagem do jornalista da Globo.


