Agência folha
A Polícia Civil de Cuiabá (MT) ainda não havia encontrado, até o final da tarde de ontem, o que seria a principal prova contra o pai-de-santo José Augusto dos Santos, de 40 anos: o corpo do farmacêutico Romualdo Barbosa, 29, dado como desaparecido desde 1995.
O pai-de-santo continua preso sob a acusação de ocultação de cadáver e ultraje à pessoa morta, por ter enterrado crânios humanos em seu terreiro, na periferia da cidade, onde foram encontrados oito crânios inteiros e outros oito fragmentados.
Ontem a polícia fez novas escavações no terreiro, agora sob orientação de um geólogo, e não havia encontrado novas ossadas até o final da tarde. Os pais do farmacêutico, o comerciante Valdomiro da Silva Barbosa e a dona de casa Enazir Pereira Barbosa prestaram depoimento ontem na Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Eles disseram que o filho, antes de desaparecer, havia dito que estava sendo ameaçado de morte por desconhecidos.
Romualdo Barbosa teria afirmado que, caso sumisse, provavelmente teria sido assassinado, segundo seu pai afirmou no depoimento. No entanto, o pai também reconheceu que era contra a decisão do filho de seguir a umbanda, o que seria um pretexto para o rapaz decidir se afastar da família sem dar notícias.
O farmacêutico, segundo testemunhas, era frequentador do terreiro de José Santos e uma espécie de seu auxiliar, ocupando a função de ‘babaquerê’ , ou ‘pai-pequeno’, o segundo na hierarquia do terreiro. O pai-de-santo disse ser amigo de Barbosa. Ele afirmou que apenas houve um desentendimento entre os dois, pouco antes do desaparecimento.
Um filho do farmacêutico, de quatro meses de idade, havia morrido de pneumonia. Barbosa teria culpado Santos pela morte, já que o pai-de-santo se recusou a tentar salvar a criança com passes de umbanda, preferindo que ela fosse atendida num hospital, onde acabou morrendo. O pai-de-santo voltou a dizer que jamais matou pessoas em seu terreiro.
O Instituto Médico-Legal continua realizando perícia nos ossos e crânios, mas peritos disseram, não oficialmente, que os crânios são humanos, enquanto os ossos podem ser de animais.
O pai-de-santo disse que os crânios foram adquiridos num cemitério da cidade. A prisão do coveiro Cirilo Souza Cruz confirmou essa parte da defesa do acusado. O coveiro admitiu ter vendido cinco crânios, a R$ 10,00, para um homem que ele julga semelhante ao pai-de-santo.
Cirilo Cruz informou que os ossos eram retirados da ala de indigentes do ossário. Ele ainda afirmou que no cemitério também usava ossos como adubo para as árvores, o que foi desmentido pela administração do cemitério.
O titular da DHPP, Márcio Fernando Pieroni, responsável pelo caso, voltou a dizer que acredita na possibilidade de o pai-de-santo ter matado pessoas em seu terreiro como sacrifício em rituais religiosos.
Um depoimento que lança suspeitas sobre os rituais de Santos partiu de Sônia Nascimento dos Santos, ex-namorada de Romualdo Barbosa. Ela declarou ao delegado que rompeu o namoro depois que Barbosa passou a exercer ‘‘a magia negra no terreiro’’. Ela teria sido submetida a rituais de limpeza espiritual, sendo cortada no tórax, no abdômen e na cabeça, sem gravidade.Para a polícia, o corpo seria a principal prova contra o pai-de-santo acusado de usar crânios humanos em rituais de magia negra
Décio JB/Gazeta de CuiabáMacabroCrânios e ossos estavam enterrados no terreiro do pai-de-santo: ele diz ter comprado peças de coveiro

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