Corpo de ex-deputado federal é cremado em Cuernavaca
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domingo, 11 de julho de 1999
Por Vandeck Santiago (especial para a AE) 
Recife, 12 (AE) - O corpo do ex-deputado federal e criador das Ligas Camponesas, Francisco Julião, que morreu sábado (10), aos 84 anos, de enfarto, foi cremado ontem (11), em Cuernavaca, no México, onde morava.
A família de Julião ainda não decidiu onde será o funeral. Hoje, um dos seis filhos dele, Anatólio Julião, que mora no Recife, seguiu para o México.
O desejo dos familiares no Recife é que o funeral aconteça em Pernambuco. Julião havia dito a parentes no Brasil que gostaria de ter as cinzas espalhadas sobre um pé de cajazeira na Fazenda Espera, de propriedade da família, em Bom Jardim, onde ele nasceu, a 106 quilômetros do Recife.
As cinzas dele deverão ser transportadas do México, onde viveu durante 16 anos, para Pernambuco, informou outro filho dele, Anacleto Julião.
Criadas em 1954, as Ligas Camponesas, que defendiam a reforma agrária, na "lei ou na marra", foram um embrião Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
Francisco Julião passou os últimos anos escrevendo as memórias, tendo concluído o primeiro volume, que abrange a criação das ligas e o movimento militar de 1964 - quando ele foi preso, juntamente com o então governador de Pernambuco, Miguel Arraes (PSB). A família espera publicar o livro até o fim do ano.
Libertado, Francisco Julião exilou-se no México. Retornou ao Brasil em 1979, com a anistia. Amigo do atual presidente nacional do PDT, Leonel Brizola, o ex-deputado e criador das Ligas Camponesas filiou-se ao PDT. Disputou a eleição para deputado federal, em 1986, em Pernambuco, mas perdeu.
Na época, ele apoiou para o governo do Estado, contra Arraes, o candidato defendido pelos usineiros, o hoje deputado federal, José Mucio (PFL). Arraes ganhou.
Francisco Julião conseguiu articular na época um acordo pelo qual os usineiros se comprometiam, em caso de vitória de Mucio, doar 10% das terras para a reforma agrária. Para Brizola, a morte de Francisco Julião "representa uma grande perda para o povo brasileiro".


