Corpo de camelô será enterrado amanhã no RN; amigos acreditam que morte foi "queima de arquivo"17/Mar, 20:57 Por Ricardo Mendonça, especial para a AE São Paulo, 17 (AE) - Revoltados e convictos de que o assassinato do camelô Gilberto Monteiro da Silva foi uma "queima de arquivo", cerca de 150 amigos do ambulante fizeram uma passeata hoje. Eles acompanharam o corpo de Silva no trajeto entre a Igreja de Santa Ifigênia, na qual ocorreu o velório, e a Câmara Municipal de São Paulo, local onde trabalham os vereadores acusados de corrupção pela primeira-dama Nicéa Pitta. Lá, por volta das 15h30, os amigos de Silva cantaram o Hino Nacional e, emocionados, acompanharam a partida do carro que levaria o corpo até o aeroporto. O ambulante será enterrado amanhã (18) em Goianinha (RN), sua cidade natal. Silva foi assassinado ontem com nove tiros quando estava chegando na Associação dos Distribuidores de Coco Verde de São Paulo, entidade da qual era presidente. Três homens que ainda não foram identificados fizeram os disparos. Não levaram dinheiro ou qualquer objeto pessoal. O camelô era uma das principais testemunhas no processo que cassou o mandato do ex-deputado estadual Hanna Garib. Tinha 37 anos e, um dia antes de levar os tiros, havia testemunhado o assassinato do caminhoneiro Eugênio Carlos Arruda de Oliveira no Largo do Pari, o mesmo lugar onde acabou sendo morto. As várias entidades ligadas aos camelôs planejam fazer uma vigília na Câmara, segunda-feira à noite, e um ato pedindo a abertura da CPI da corrupção, na próxima quinta-feira. Execução - "Tenho plena certeza que a máfia da propina está ligada a esse assassinato", disse hoje o presidente do Sindicato dos Camelôs Independentes de São Paulo, Afonso José da Silva, que testemunhou contra Garib e sobreviveu a um atentado à bala em 1999. "Aumentou meu medo", completou. Sempre acompanhado de um segurança, Afonso chorou muito durante a missa a caminhada e as homenagens finais feitas pelos amigos de Silva na frente da Câmara. Foi consolado por colegas. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Economia Informal, Marcos Antônio Maldonado, é mais cauteloso que Afonso. Ele acha alta a possibilidade de o assassinato de Silva estar ligado aos acusados da máfia da propina, mas diz que ainda é cedo para tirar conclusões. Políticos - Três candidatos ou pré-candidatos à Prefeitura estiveram presentes hoje no velório de Silva: Marta Suplicy (PT) Luiza Erundina (PSB) e Roberto Mangabeira Unger (PPS). Os sindicalistas Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Paulo Pereira da Silva o Paulinho, presidente da Força Sindical, e Antônio Carlos dos Reis, da Central Geral dos Trabalhadores (CGT), também compareceram. No caixão de Silva havia uma bandeira do Brasil e um pano com a mensagem "Denuncie a corrupção. Pergunte-me como".

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