Corpo de bebê foi sepultado sem autópsia
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 04 de junho de 2013
Lúcio Flávio Moura<br>Reportagem Local 
Rolândia A diretora do Instituto Médico-Legal de Londrina, Cristiane Ferreira de Souza, informou ontem que o corpo da menina recém-nascida morta sob suspeita de omissão de socorro no pronto-socorro do Hospital São Rafael, em Rolândia (Região Metropolitana de Londrina), foi sepultado sem passar por autópsia, procedimento solicitado pela Polícia Civil após a queixa dos familiares. A menina, de 25 dias, teria morrido de parada cardiorrespiratória na sala de espera da unidade após aguardar o atendimento por pelo menos meia hora, segundo os pais da vítima.
Cristiane explicou que o médico legista que estava de plantão no domingo preferiu não realizar a autópsia porque julgou ser desnecessária. De acordo com a explicação do legista à diretora, o corpo passou por procedimentos de conservação (tanatopraxia) antes de ser liberado para o velório. "Com isso, ele explicou que a autópsia seria inconclusiva", afirmou.
Os procedimentos de conservação incluem a tanatopraxia, que retira o sangue e coloca substâncias conservantes no lugar. Os órgãos são retirados e recolocados após uma limpeza. Normalmente a decisão de conservar o corpo é feita pela família. A FOLHA não conseguiu contatar os pais da criança.
Ontem, ao ser questionado pela reportagem, o delegado Valdir Fernandes se surpreendeu com a informação. "Não tenho conhecimento disso, mas o que posso dizer é que o laudo a partir da autópsia é o elemento mais importante do inquérito. Se realmente o exame não foi realizado, vamos tentar apurar o que motivou isso", disse. O delegado também não descartou a possibilidade de pedir a exumação do corpo.


