Corpo de advogado é exumado; laudo sai em 60 dias
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domingo, 21 de fevereiro de 1999
Por Gabriela Carelli 
São Paulo, 22 (AE) - A mãe da advogada Patrícia Aggio Longo, mulher do promotor de Justiça Igor Ferreira da Silva, assassinada com dois tiros na cabeça em 4 de julho, chegou bem antes da hora marcada para a exumação do corpo da filha, prevista para as 9 horas de ontem. Acompanhada do filho mais novo, Eduardo, fez questão de rezar em frente do túmulo do Cemitério Parque das Flores, em Atibaia, no interior de São Paulo. "Estão fazendo hoje o que deveria ter sido feito no começo; por que temos de sofrer duas vezes?", perguntou Maria Cecília Aggio Longo, revoltada com o que considera "incompetência dos policiais e da Justiça". "Continuo a acreditar na inocência de Igor".
Os trabalhos de exumação, iniciados às 10h06, com duração de mais de uma hora, têm dois objetivos: comprovar se o calibre da bala que atingiu Patrícia era o mesmo das cápsulas encontradas na caminhonete onde ocorreu o crime (calibre 380) e fazer um exame de DNA para provar a paternidade de Silva. Patrícia estava no oitavo mês de gravidez quando foi morta.
O caixão teve de ser aberto no local para os peritos detectarem a possibilidade de análises, por causa do estado de decomposição dos corpos, o que causou mal-estar e ressentimento nos parentes. Segundo o perito responsável, Carlos Alberto de Souza Coelho, os corpos estavam em bom estado para observação, por isso foram levados para o Instituto Médico Legal de São Paulo. Os laudos devem ser apresentados em 60 dias.
Os resultados do exames feitos pelo Instituto de Criminalística e por médicos da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP) servirão, de acordo com a procuradora de Justiça Liliana Buff, como uma prova a mais para incriminar Igor Silva. "Para o Ministério Público, os exames virão reforçar a acusação", disse ela. "Quanto ao pedido de exame de DNA, feito pela defesa, só tenho a dizer que a Justiça nunca teve dúvidas sobre a paternidade ser de Igor". A defesa pretende provar, por meio dos exames de DNA, que o acusado não tinha motivos para matar a mulher. Indícios - O delegado Fernão Dias Silva Leme, do Setor de Investigações Gerais de Atibaia, contestou as insinuações da família de que a demora nos exames de balística são prova da precariedade dos trabalhos. "Esses exames são incomuns e só estão sendo feitos para termos a confirmação final; não temos dúvida sobre a autoria do crime".
O pedido de exame para comprovar o calibre do projétil foi feito pelo desembargador Franciulli Netto. Se constatarem que a bala é de calibre 380, haverá sérios indícios contra o promotor. No dia seguinte à morte de Patrícia, Igor Silva afirmou à polícia que tinha duas armas, uma 380 e outra 9 milímetros, que teriam sido vendidas. Dias depois, mudou a versão e disse que ainda tinha a de 9 milímetros. O promotor continuou a insistir que vendera a pistola 380. No interior do veículo onde ocorreu o crime foram apreendidas duas cápsulas de calibre 380.


