São Paulo, 21 (AE) - O corpo da advogada Patricia Aggio Longo
assassinada com dois tiros na cabeça em 4 de julho de 1998, em Atibaia, grávida de sete meses, será exumado às 9 horas de amanhã (22)e, no Cemitério de Atibaia. Os trabalhos serão dirigidos pelos peritos Carlos Alberto de Souza Coelho e Juarez Oscar Montanaro. O bebê também será exumado, para a análise do DNA, para um exame de paternidade.
As exumações poderão acrescentar mais um elo na cadeia de provas indiciárias, reunidas contra o promotor de Justiça, Igor Ferreira da Silva, marido de Patrícia, a quem está sendo atribuída a autoria do crime. Silva alega inocência. Insiste que estava em companhia de Patrícia numa perua Dodge quando, na portaria do loteamento Shangrilá, por onde pretendia cortar caminho, foi abordado por um assaltante. Arma em punho, ele mandou o promotor descer do carro e correr. O bandido tomou a direção do veículo, levando Patrícia como refém no banco de passageiros. A perua com o cadáver foi encontrada no condomínio a 1.100 metros da portaria.
A exumação dos cadáveres foi determinada pelo desembargador Franciulli Netto, relator do processo por homicídio qualificado e aborto, instaurado contra Silva. Uma das principais metas dos peritos é verificar o calibre do projétil que varou o crânio de Patrícia. Se constatarem que a bala é de calibre 380 estará fechado um círculo de sérios indícios contra o promotor.
Silva sempre andava armado. Tanto que respondeu a procedimento investigatório na Procuradoria-Geral de Justiça, por haver ameaçado um vigia, com uma pistola semi-automática calibra 380. No dia seguinte à morte de Patrícia, ouvido pelo delegado seccional de Bragança Paulista, Silva afirmou que fora proprietário de duas armas, uma 380 e outra 9 milímetros. Mas as duas haviam sido vendidas a um segurança, cujo nome não revelou.
Em 18 de junho, Silva mudou a versão, admitindo que ainda possuía uma 9 milímetros. Essa arma acabou sendo apreendida pela polícia dois dias depois, em um sítio em Mairiporã. Esse fato valeu ao promotor e a seu irmão, Eger Ferreira da Silva, um processo por porte ilegal.
Quanto à pistola 380, Silva continuou a insistir que a vendera. No interior da perua a polícia apreendeu duas cápsulas deflagradas, calibre 380, provavelmente ejetadas pela arma do crime.
No sítio de Mairiporã, a polícia não encontrou a pistola 380, mas achou 43 cartuchos deflagrados do mesmo calibre. O Instituto de Criminalística confrontou os cartuchos com os dois outros achados dentro do carro. Segundo o laudo, todos os picotes, nos 45 cartuchos, "foram produzidos pelo pino percussor de uma mesma arma".
Quanto aos exames de DNA, o interesse é da defesa. Ela pretende provar a paternidade de Silva, para mostrar que ele não tinha motivos para matar a mulher. O casal vivia em harmonia, fato comprovado pelos pais da vítima, que acreditam na inocência do promotor.

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