Registro, SP, 07 (AE) - O corpo da professora Beatriz Pierin de Barros e Silva, de 31 anos, morta na madrugada de segunda-feira em acidente de trânsito na Rodovia Régis Bittencourt (BR-116), em Miracatu, reapareceu hoje em Registro, a 185 quilômetros de São Paulo. O cadáver, em estado de decomposição, foi achado pelo motorista Alcimar José Alves Franco em um rabecão do Instituto Médico Legal (IML) local. O veículo tinha sido utilizado para a remoção das vítimas do acidente com o ônibus em que Beatriz viajava, que bateu em um contêiner desprendido de um caminhão.
No local do acidente, morreram 17 pessoas, mas apenas 16 corpos deram entrada no IML. O de Beatriz estava desaparecido. Segundo o funcionário, o carro foi lavado no dia seguinte para a limpeza do sangue e voltou a ser utilizado naquela tarde para buscar o corpo da 18ª vítima, em Pariquera-Açu, sofrendo uma segunda lavagem. Ele e outras testemunhas garantem que o veículo estava vazio. A polícia acredita que o corpo tinha sido roubado e, diante da repercussão do caso, foi colocado no rabecão durante a noite. Deste terça-feira, o veículo permanecera estacionado em um pátio aberto, na frente do IML.
"É uma história de arrepiar", comentou o delegado-assistente da Seccional de Registo, Reinaldo Antônio Ferreira. O motorista encontrou o cadáver por volta da 1h20 da madrugada, quando foi chamado para buscar o corpo de uma vítima de acidente em Miracatu. Ao checar as caixas de cadáveres, sentiu o mau-cheiro e percebeu um líquido escorrendo no piso do rabecão. O corpo estava encaixado entre a tampa de um dos caixões metálicos e a carroceria do veículo. O médico João Maximiano Pierin dos Santos, irmão de Beatriz, que desde o acidente permanecia na cidade, fez o reconhecimento, confirmado pela aliança e o relógio que a professora usava.
O delegado disse que os indícios de envolvimento da chamada "máfia das funerárias" no caso, levaram a Corregedoria da Polícia Civil, da capital, a requisitar o inquérito para dar sequência às investigações iniciadas pela Seccional. A Corregedoria destacou o delegado Emerenciano Dini para cuidar do caso. À tarde, Dini reuniu-se com o seccional de Registro, Sebastião Corrêa. Ele considerou "plausível" a possibilidade de o corpo ter permanecido quatro dias no interior do veículo, sem ser encontrado, mas disse que outras hipóteses serão investigadas.
Ele checará a informação dada por um funcionário do IML, segundo o qual o corpo de Beatriz havia sido transportado em outro rabecão e não no veículo em que foi achado. O cadáver foi submetido a autópsia na presença de parentes. Segundo o delegado
foram encontrados apenas os ferimentos decorrentes do acidente. O corpo da professora foi transladado hoje para Curitiba, onde foi sepultado.

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