Coronel Ubiratan rouba cena em desfile militar
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segunda-feira, 09 de julho de 2001
Moacir Assunção Agência Estado De São Paulo 
O coronel da reserva Ubiratan Guimarães, condenado a 632 anos de prisão pelo massacre de 102 presos do Carandiru, roubou a cena no desfile em homenagem aos revolucionários de 1932, ontem, em frente do Obelisco do Ibirapuera. Vestido com uma farda histórica da Revolução e de pé sobre um veículo do Jeep Clube do Brasil, Ubiratan desfilou com pose de general vitorioso. Ele ainda contou com a colaboração de um grupo, aparentemente de policiais militares à paisana, vestindo camisetas com as palavras Pró-Ubiratan, que pedia aplausos para ele, enquanto exibia uma faixa em prol dos direitos humanos. O coronel negou conhecer o grupo.
Aparentemente contrariados, o comandante da PM, Rui Cesar Mello, e o governador Geraldo Alckmin, que estavam no palanque das autoridades, olharam para o outro lado, enquanto o oficial passava, sob aplausos do público e até de PMs.
O comandante havia proibido a participação de Ubiratan no desfile militar, na condição de ex-comandante do Regimento de Cavalaria 9 de Julho, mas ele desfilou entre os integrantes do Jeep Clube do Brasil. Também no palanque, o presidente do Tribunal de Justiça (TJ), Márcio Martins Bonilha, não esboçou reação.
Ubiratan classificou como retaliação das autoridades a proibição de participar do desfile. Para ele, a atitude é antidemocrática. Sempre desfilei e vou continuar desfilando. Fiz isso para homenagear a Revolução de 32 e sua luta pela democracia, disse.
Alckmin criticou a conduta do oficial. Ele está tentando aparecer para ajudar na sua defesa. Mas o problema é com a Justiça, afirmou.
De acordo com o comandante da PM, o coronel não será punido. Proibi a participação dele no desfile militar, mas nada impede que participe como civil, na condição de jipeiro. A proibição, de acordo com ele, foi para não dar um aspecto institucional de apoio ao ato do militar.
A festa em homenagem aos 69 anos da Revolução de 1932 contou com a participação especial da cantora e apresentadora Inezita Barroso, que cantou a música Serra da Mantiqueira. O grupo Trovadores Urbanos também se apresentou.
A Revolução de 1932, em que os paulistas enfrentaram a ditadura de Getúlio Vargas pedindo uma constituição para o País, durou 85 dias e deixou 830 mortos - entre eles, 630 paulistas. Um total de 135 mil brasileiros esteve envolvido nos combates. Os paulistas acabaram derrotados, mas dois anos depois foi promulgada a Constituição. O assassinato de quatro estudantes por partidários de Vargas foi o estopim da revolta.
Protesto Policias civis e militares protestaram durante o desfile no Ibirapuera (zona sul). Portando cartazes e narizes de palhaço, eles reclamaram contra o aumento concedido à categoria pelo governador e pediram aumento de 41% no salário. Estas manifestações fazem parte da democracia. Aliás, os policiais fizeram uma manifestação muito respeitosa, muito tranquila, nenhum problema. As pessoas têm o direito de defender o que pretendem, mas esse é o limite do Governo. Quem reivindica, não precisa ter limite, mas quem concede tem limite, o limite do orçamento e o limite da Lei de Responsabilidade Fiscal, afirmou o governador Geraldo Alckmin (PSDB). Ele
concedeu às polícias reajustes diferenciados de outras categorias do funcionalismo estadual. Os valores variam de 6% a 10%.


