Salvador, 29 (AE) - O tenente-coronel Pedro César Arcanjo dos Santos, ex-comandante do 12º Batalhão da Polícia Militar da Bahia negou hoje comandar um grupo de extermínio na região metropolitana de Salvador, assaltar ou traficar drogas. As acusações foram feitas por uma testemunha protegida pelo Ministério Público do Estado. Ela é mulher de um traficante, supostamente assassinado pelo oficial. O grupo de extermínio seria responsável pela morte de mais de cem pessoas na região.
Em carta enviada aos jornais de Salvador, Santos disse que em 30 anos de serviços prestados à Polícia Militar jamais comandou grupos de extermínio, praticou assalto ou traficou drogas. Afirma que as acusações são falsas e causaram nele "abalo gigantesco, tanto do ponto de vista emocional quando moral". Ele pretende interpelar judicialmente a deputada Moema Gramacho (PT), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa, que encaminhou a testemunha ao Ministério Público.
O promotor Gildásio Galrão, que investiga o caso, preferiu não divulgar mais informações sobre o assunto para não prejudicar as apurações. Disse apenas que tem o apoio da secretária de Segurança Pública Kétia Alves para levantar as informações passadas pela testemunha que apontou locais onde o grupo de extermínio enterraria suas vítimas. Até a tarde de hoje nenhum corpo havia sido encontrado pela polícia. A Secretaria de Segurança está fazendo um levantamento de todos os casos de corpos não-identificados, vítimas de grupos de extermínio, além de inquéritos de mortes por resistência à prisão no período em que o coronel Santos comandava o 12º Batalhão.

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