Coronel demitido denuncia mordomia na PM do Rio
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 14 de abril de 1999
Por Andreia Maia 
Rio, 15 (AE) - O Comando da Polícia Militar alugou um apartamento de quatro quartos e uma suíte na Praia do Forte, em Cabo Frio, na Região dos Lagos, por R$ 3,160 mil mensais. A denúncia foi feita hoje pelo coronel da PM Marcos Paes, demitido há 15 dias pelo governador Anhony Garotinho, do cargo de chefe do Serviço de Contra-Informação do Centro de Inteligência e Segurança Pública (Cisp). Segundo ele, o apartamento não tem registro de imóveis, o que seria de conhecimento do Comando da PM. Para Paes, essa investigação entre outras que ele fazia, teria sido um dos motivos de seu afastamento do cargo. Garotinho não se pronunciou sobre o caso.
"Muitos integrantes da cúpula da Secretaria ficaram com medo das minhas apurações ", disse o coronel referindo-se aos seus desafetos como o subsecretário de Segurança, o sociólogo Luiz Eduardo Soares. O militar entrou na Justiça com uma ação Civil por danos morais e outra Criminal contra Soares por tê-lo chamado de matador, ao justificar a sua saída do Cisp.
A revelação do coronel Paes foi feita aos parlamentares da Comissão de Segurança e Assuntos da Polícia da Assembléia Legislativa fluminense (Alerj), onde prestou esclarecimento sobre o seu afastamento, no mesmo dia em que também foi demitido pelo governador, o secretário de Segurança Pública, general José Siqueira. O general considerou a sua saída, "uma molecagem".
O aluguel do apartamento - que teria sido feito de forma irregular - foi descoberto pelo coronel , após começar a investigar acusações de que o comandante do 25º Batalhão da PM, tenente-coronel Gilson da Costa, teria se enriquecido ilicitamente e recebido propinas do jogo do bicho da Região dos Lagos. Gilso Costa estava morando com a família no imóvel desde que foi transferido no segundo semestre do ano passado do Serviço Reservado do batalhão da Tijuca, na zona norte do Rio, para o batalhão de Cabo Frio.
"O que chamou atenção foi a Polícia Militar ter alugado um apartamento sem a documentação correta", ressaltou Paes. Segundo ele, os imóveis alugados pela PM são autorizados pelo atual comandante da PM, coronel Sérgio Cruz, que exerce a função de ordenador de despesas. Cruz é padrinho dos dois filhos de Costa.
Além disso, Paes atribuiu também o seu afastamento a frente do Cisp a uma retaliação do subsecretário à invasão da Polícia Militar à Fábrica da Esperança, em novembro de 1995. Na ocasião, a polícia recebeu uma denúncia de que 2,8 mil sacolés de cocaína estavam escondidos em galpões da fábrica. Três traficantes foram presos.
Segundo o militar, os dirigentes da Fábrica da Esperança, o pastor Caio Fábio, o sociólogo Rubens César e o póprio subsecretário Luiz Eduardo Soares, pediram que o crime fosse registrado como se tivesse ocorrido longe do local. "Eles ficaram com raiva de o fato ter vindo a público e desde então iniciaram uma perseguição ao meu trabalho", disse Paes. Nenhum dos envolvidos comentou sobre a denúncia do coronel.


