Rio, 14 (AE) - O assassinato do coronel Carlos Magno Nazareth Cerqueira surpreendeu seus amigos. Ele era considerado um homem pacato e querido na Polícia Militar, o primeiro e único emprego que teve durante toda a vida - entrou na corporação em 1957. Ferrenho defensor dos direitos humanos, foi duas vezes secretário de Estado do governador Leonel Brizola, de 1983 a 1986 e de 1991 a 1994.
Carioca de Olaria, era formado em psicologia e em filosofia. Fez também estágio na Gendarmerie Francesa e pertencia ao Estado Maior da Polícia Militar, quando Leonel Brizola o convidou para cuidar do setor de segurança do Estado.
Sua política de trabalho baseava-se no respeito aos direitos humanos e nas boas relações entre a polícia e a população. "A filosofia básica da PM será o respeito às garantias individuais e o relacionamento com a comunidade", disse ele, ao assumir a secretaria da Polícia Militar do Estado do Rio pela segunda vez, em janeiro de 1991. No entanto, durante sua segunda gestão soldados da PM assassinaram os menores de rua na Igreja da Candelária, no centro do Rio, em julho de 1993, e moradores da Favela de Vigário Geral, na zona norte da cidade, poucos meses depois.
Os crimes começaram a ser apurados em seu governo, apesar de os acusados ainda estarem em liberdade. Mas foi também durante a gestão de Nazareth Cerqueira que a fortaleza do banqueiro de bicho Castor de Andrade foi estourada e ocorreu a Eco 92, quando governantes do mundo inteiro estiveram no Rio e elogiaram o esquema de segurança da cidade.
Filosofia - Por sua filosofia de trabalho, ele fez muitos adversários, tanto por prejudicar os interesses do crime organizado quanto dentro da própria PM. "Não dá para controlar o crime sem bater em quem realmente manda nele, se não agirmos assim tudo que estaremos fazendo é enxugar gelo", disse em 1993. "O apontador do jogo do bicho, o ladrão que se esconde no morro, o traficante da rua fazem parte de uma estrutura maior."
Atualmente Cerqueira trabalhava com o advogado Nilo Batista na ONG Instituto Carioca de Criminologia, que dava cursos e palestras para policiais e editava uma revista de criminologia sobre o assunto.
O coronel PM Jorge da Silva, sub-secretário de Nazareth Cerqueira e amigo dele há mais de 20 anos, desconhece ameaças contra o coronel. "Ele era um homem muito reservado e não contaria a ninguém se recebesse ameaças de morte", disse Silva.

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