Ney de SouzaPM unidaEncontro nacional reúne 26 comandantes da Polícia Militar e 11 de Corpos de BombeiroA proposta de desmilitarização da Polícia Militar defendida pelo governo pode aumentar a insubordinação na tropa e estimular a realização de greves na corporação. A advertência foi feita ontem, em Foz do Iguaçu, pelo coronel Luiz Fernando de Lara, presidente do Conselho Nacional de Comandantes Gerais da PM, durante a abertura do 16º Encontro de Comandantes Gerais da Polícias Militares e dos Corpos de Bombeiros Militares.
‘‘Os movimentos sindicais são muito fortes no País. Se tiramos a investidura militar da PM e a transformamos em uma organização civil, não poderemos mais aplicar os regulamentos militares, que primam pela disciplina. Com isso, o movimento sindical vai tomar conta’’, disse Lara, comandante geral da PM no Paraná.
Segundo ele, a PM é uma das poucas instituições onde o movimento sindical ainda não ‘‘penetrou’’, justamente devido à formação militar de seus quadros. ‘‘Hoje as PMs se modernizaram e incluíram nos seus currículos cursos de Ciências Sociais e Direitos Humanos. A carga horária para a formação militar é ínfima. Mas não podemos tirar essa formação, que é uma qualidade das corporações. É isso que permite a presença do homem fardado na rua, a postura, o uniforme e o tratamento que ele dá à população’’.
Lara criticou também a proposta do Ministério da Justiça, de ‘‘desconstitucionalização’’ da Polícia Militar, que transferiria para os Estados a competência de reestruturar e organizar suas próprias polícias. Na opinião do coronel, a medida significaria uma ‘‘intervenção branca’’ nas corporações.
O general Gilberto Serra, secretário de Planejamento e Ações Nacionais de Segurança Pública do Ministério da Justiça - que representou o ministro Íris Rezende no encontro - defendeu a proposta de desconstitucionalização e disse que ela vai dar mais liberdade de atuação aos governadores. ‘‘A idéia é desconstitucionalizar os órgãos, que estão com suas decisões engessadas, e não as atividades de segurança.’’
O encontro em Foz do Iguaçu reuniu 26 dos 28 comandantes gerais da PM do País - só faltaram representantes de Alagoas e Ceará - e comandantes de 11 corporações de Bombeiros Militares. No fim do evento, amanhã, será divulgada a Carta de Foz do Iguaçu, com as ‘‘contrapropostas’’ da PM para o projeto de mudanças que está sendo elaborado pelo governo federal.
Uma das principais reivindicações que deverá figurar no documento será a fixação de um piso salarial nacional de R$ 1 mil para os PMs. O salário inicial no Piauí - o pior da instituição no País - é de R$ 209,00. O general Serra disse que o governo vai analisar a Carta de Foz do Iguaçu antes de enviar o projeto de reformulações das polícias ao Congresso.

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