Coronel ataca PF em depoimento à Justiça do Piauí
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terça-feira, 09 de novembro de 1999
Por Claudio Barros (especial para a AE) 
Teresina, 09 (AE) - Em depoimento hoje no Fórum Criminal de Teresina, o coronel José Viriato Correia Lima, acusado de ser chefe do crime organizado no Piauí, disse que existe um complô da Polícia Federal para "destruir" a sua imagem. As declarações de Lima à Justiça irritaram o superintendente da PF, Robert Magalhães, que prometeu divulgar gravações nas quais o coronel confessa ter mandado agredir o jornalista Efrém Ribeiro.
Magalhães ficou ainda mais irritado porque o advogado de Lima, Ezequiel Dias, declarou que a agressão ao jornalista poderia ter partido de outra pessoa ou da própria PF, "com o objetivo de implicar" seu cliente. O coronel, que está sendo processado por agressão a Efrém Ribeiro, defendeu-se dizendo que não tinha mandado bater, "somente dar uns tiros nos dois joelhos". "Fiz isso num momento de emoção", justificou.
Em sua defesa, o homem apontado como o chefe do crime organizado informou ao juiz José Bonifácio Júnior que trabalhou para os ex-governadores Freitas Neto e Hugo Napoleão, que são atualmente senadores pelo PFL, e para o atual governador Francisco Moraes, o Mão Santa (PMDB). Os três políticos negam que Lima tenha prestado serviços durante os seus mandatos, mas o coronel só foi para a reserva em 1998.
O advogado de Lima diz que há uma "conspiração" para transferir seu cliente do quartel da PM, onde está preso há 32 dias, para uma outra prisão. Ezequiel Dias refere-se a uma carta precatória da Justiça Federal de Minas Gerais para que José Viriato Correia Lima seja processado por falsificação de dinheiro. O documento deve chegar ainda esta semana à Justiça do Piauí.
O delegado Aírton Franco, que investiga a lavagem de dinheiro desviado de programas federais de saúde e educação, informou hoje que será necessária uma auditoria do Tribunal de Contas da União para se saber o total de verbas roubadas. Ele está pedindo ao Tribunal de Contas do Estado que sejam enviados os balancetes das prefeituras nos últimos cinco anos. Só assim, acredita, será possível estabelecer também se ex-prefeitos se beneficiavam com o esquema de lavagem de dinheiro do coronel José Viriato Correia Lima.


