Coronel acusado de liderar crime organizado depõe amanhã em Teresina
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sábado, 16 de outubro de 1999
Por Claudio Barros (especial para a AE) 
Teresina, 17 (AE) - O coronel Viriato Correia Lima, acusado de chefiar o crime organizado no Piauí, vai depor amanhã (18) na sede da Polícia Federal em Teresina. Os advogados de Lima tentaram, em vão, transferir o depoimento para outro local. Eles alegaram "diferenças pessoais" entre seu cliente e o superintendente da PF, Robert Magalhães. O secretário da Segurança, Carlos Lobo, negou-se a atender o pedido dos advogados. "Ele será ouvido é na Polícia Federal e ponto final", disse.
Lima não deverá responder às perguntas que lhe serão feitas pelo delegado Francisco Costa, encarregado das investigações no âmbito da Polícia Civil. Ele vai invocar o direito constitucional de se manter em silêncio, devendo falar apenas em juízo, esclareceu o advogado Ezequiel Dias. O depoimento está marcado para as 9 horas e um esquema especial com policiais fortemente armados vai ser montado para levar Lima do quartel onde está preso até a sede da PF.
Também está marcada para amanhã a abertura dos documentos e computadores apreendidos nos escritórios do empresário José Carlos Bezerra de Sá, o Mazurca, e do advogado José Ribamar Neiva Eulálio. Os dois estão sob suspeita de lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito. Mazurca teve seu telefone grampeado por ordem judicial e pode também estar envolvido com a falsificação de notas fiscais.
A polícia também se esforça para prender Francisco Domingos de Sousa. Ele chefia o "escritório" de cobranças de Lima e desapareceu assim que teve a sua prisão preventiva decretada, sob acusação de ter agredido o jornalista Efrém Ribeiro. O inquérito foi concluído pela Polícia, que aponta Lima como autor intelectual da agressão.
Ainda não foi decretada a prisão provisória de nove pessoas do esquema criminoso. O secretário da Segurança, Carlos Lobo, pediu oficialmente ao presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Falcão Lopes, e ao procurador-geral de Justiça, Antonio Linhares, a designação de um juiz e de um promotor para tratar especialmente do crime organizado. "É para que não se fique neste jogo de empurra-empurra", justifica-se. Caso a prisão provisória não seja decretada nesta segunda-feira, somente na quarta-feira haverá uma decisão judicial, porque terça-feira, dia 19, é feriado estadual.


