Corintiano é morto por são-paulinos
Agência Estado
De São Paulo
Depois de correr desesperadamente de um grupo de são-paulinos armados com pedaços de pau, o estudante corintiano Gideao Bastos, de 18 anos, voltou para procurar o amigo de infância, Vagner José de Lima, também de 18 anos. Encontrou o amigo no chão e conversou com ele. Acorda aí, meu. Lima, embora ainda estivesse vivo, não respondeu. Vítima de um tiro e de uma sessão de pancadaria, ele morreu pouco depois no Hospital das Clínicas, em São Paulo.
O estudante, que pertencia à Gaviões da Fiel, foi a vítima de uma guerra entre torcedores corintianos e são-paulinos na madrugada de ontem. Além da morte, a batalha travada na Avenida 9 de Julho deixou pelo menos três feridos. O confronto ocorreu no início da madrugada .
Um grupo de são-paulinos saiu de uma partida no Estádio do Morumbi, na zona sul. Os corintianos haviam deixado o Pacaembu, na zona oeste. Como já ocorreu outras vezes, os grupos encontraram-se na Avenida 9 de Julho.
No relato que fez à polícia, o diretor da torcida Independente, Fernando Luís Portela de Oliveira, disse que pelo menos 60 são-paulinos, todos membros da torcida, passavam pela avenida, num ônibus da linha Brooklin-Bandeira, quando encontraram os corintianos, que aguardavam outro ônibus, e começaram a atirar pedras no ônibus.
Os são-paulinos, então, pediram para descer do ônibus. Em seguida, transformaram a avenida num campo de batalha.
Moradores dos prédios da Avenida 9 de Julho descreveram a briga como uma guerra. Tinha rojão e tiros tanto que pensei que fosse uma guerra de verdade, disse o encarregado de expedição Judicael Barbosa da Silva, que mora há 23 anos no local.
Os torcedores usaram, como armas, pedaços de paus, cavaletes que estavam na rua e arremessaram latas com piche, que sinalizava uma obra no local.
Marcus Vinicius Perli Vianna, de 18 anos, foi para o Hospital das Clínicas como uma fratura exposta de mandíbula. Anderson Silva de Morais, socorrido no Hospital 9 de Julho, levou um tiro que perfurou seu pulmão. Ele foi operado e ontem ainda estava na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
O delegado Ricardo Barbante Trentini, do 4º DP, acredita que a história foi um pouco diferente. Segundo ele, a briga começou na Avenida Paulista, quando um são-paulino se encontrou com um corintiano.
Esse torcedor do São Paulo teria agredido o torcedor do Corinthians com uma barra de ferro. Vianna, que está internado no Hospital das Clínicas, disse que escutou uma conversa em que os são-paulinos combinaram que continuariam as agressões na Avenida 9 de Julho.
A Polícia Militar pediu à Federação Paulista de Futebol (FPF) que não marque mais no mesmo dia jogo de um time grande quando outro vai jogar na capital. Isso porque os jogos em estádios diferentes obrigam a PM a dividir seu contingente, dificultando o patrulhamento da cidade.





