Coréia do Norte faz campanha diplomática com um mundo suspeito
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quinta-feira, 20 de janeiro de 2000
Por Christopher Torchia 
Seul (AE-AP) - No dia 1º de janeiro, a Coréia do Norte avançou seus laços diplomáticos com a Itália. No sábado, negociadores de países comunistas irão encontrar enviados norte-americanos em Berlim. Em fevereiro, a Austrália planeja enviar uma delegação a Pyongyang pela primeira vez desde que suspendeu as relações em 1975.
A Coréia do Norte, amplamente vista como um nação reclusa com um gosto pelo terrorismo, está mais engajada em diplomacia do que nunca. Por enquanto, porém, muitos observadores duvidam que essas manobras possam prognosticar uma mudança significante na política em relação ao mundo externo.
O dilema central persiste: a Coréia do Norte é tão pobre que precisa desesperadamente corteja governos estrangeiros para empréstimos financeiros e para ajuda humanitária. Mas, se abrir suas portas aos estrangeiros, os regime totalitário corre o risco de corroer sua própria autoridade.
"O país ainda não está preparado para abrir-se para uma discussão real com o mundo externo em aspectos além de sua propaganda", disse Dr. Claus Vollers, embaixador alemão em Seul.
A carga de sarcasmo diária que a Coréia do Norte atira contra seu triunvirato de inimigos visíveis, Japão, Coréia do Norte e Estados Unidos, é muito mais uma ferramenta política doméstica do que externa.
A retórica impulsiona o regime ao alimentar a suspeitas fortemente enraizadas entre seus 22 milhões de pessoas em relação ao mundo, uma tática que fez possível Pyongyang deter fontes independentes de informação.
Ao mesmo tempo, o líder da Coréia do Norte, Kim Jong Il, mostrou disposição para acomodação. Em setembro, Washington levantou algumas sanções norte-americanas contra a Coréia do Norte. Em troca, Pyongyang concordou em parar seus programas de mísseis na medida em que as conversas bilaterais continuem.
Espera-se que o Japão e a Coréia do Norte retomem as conversações em breve para estabelecer suas relações. Eles nunca tiveram relações e as conversas romperam-se em 1992, com alegações de que agentes norte-coreanos haviam sequestrado cidadãos japoneses.
A Itália tornou-se o sexto país europeu a estabelecer laços com a Coréia do Norte, logo após a Suécia, Finlândia, Portugal, Dinamarca e áustria. O embaixador italiano em Pequim exercerá também as funções de enviado a Pyongyang, mas continuará a viver na China.
"Trata-se da política que estamos tentando com o Irã, com o Iraque e com a Argélia. Alguns países são problemáticos, mas nós acreditamos que o diálogo é necessário mesmo com esses países", disse Carlo Trezza, embaixador italiano em Seul.
Críticos dizem que o ocidente deveria ser mais duro com a Coréia do Norte, argumentando que os motivos que levam o país às conversações são conquistar esmolar das nações ricas e conquistar tempo para reforças seu grande poderio militar. E, simplesmente, expressar sua cólera como um solitário mantenedor da Guerra Fria.
"Os norte-coreanos não demonstraram realmente nenhuma indicação para reforma ou mudanças em suas atitudes e nós estamos simplesmente enriquecendo o regime", disse Chuck Downs, autor do livro "Sobre a linha: a estratégia de negociação norte-coreana".
A Coréia do Norte permite a entrada de algumas companhias sul-coreanas que produzem recursos, mas recusou a tentativa de diálogo com o governo do país, ridicularizando-o como um palhaço norte-americano. O país desdenhosamente descartou uma proposta recente feita pelo presidente sul-coreano Kim Dae-jung de formar um conselho econômico conjunto.
Hong Soon-young, que perdeu seu emprego como ministro do exterior sul-coreano durante a reforma ministerial da quinta-feira, havia especulado, no mês passado, que a unificação
que determina os objetivos para ambas as Coréias, poderia demorar um quarto de século.
Oficiais norte-coreanos fizeram 222 visitas a países estrangeiros no ano passado. Elas foram 134 em 1998 e 99 no ano anterior, informou a principal agência de espionagem sul-coreana
o Serviço de Inteligência Nacional.
Os diplomatas norte-coreanos foram protagonistas da guerra fria e peças chave no Movimento Não Aliado, o bloco de nações em desenvolvimento, mas seu grupo de aliados evaporou depois da queda do comunismo uma década atrás.
Cercada por falta de comida e de recursos, Pyongyang fechou 17 missões diplomáticas, entre elas oito na áfrica, nos últimos dois anos.
Oficiais sul-coreanos, citando ex-diplomatas norte-coreano que deserdaram, dizem que algumas das 51 missões que continuavam abertas eram forçadas, em sua maioria, a se auto financiarem.
Nos últimos anos, os diplomatas da Coréia do Norte foram pegos contrabandeando ouro, narcóticos, marfim, pirateando CDs e falsificando dólares norte-americanos dentro e para fora de países como Japão, Rússia, Tailândia e uma série de países africanos.
As agências de inteligência ocidentais acreditam que Macau, o paraíso dos jogos de azar, devolvida aos chineses por Portugal em dezembro, é o centro das atividades criminais da Coréia do Norte.
Em fevereiro, um escritório diplomático norte-coreano deve ser aberto em Hong Kong. Nos mesmo mês, enviados australianos são esperados para conversas em Pyongyang, convidados pelo governo norte-coreano. A Austrália envia ajuda para a Coréia do Norte, mas não tem planos imediatos para estabelecer relações diplomáticas completas com o país.
A Coréia do Norte e os EUA ainda têm de resolver muitos assuntos, entre eles direitos humanos na nação comunista, o programa de mísseis e inspeções das instalações nucleares norte-coreanas. Mas os negociadores norte-americanos esperam que
rodada de conversas em Berlim este mês abra o caminho para uma visita aos EUA de altos oficiais norte-coreanos. A troca de oficiais de ligação com Pyongyang é outro objetivo dos EUA.


