São Paulo, 29 (AE) - O coreano Tae Neung Kang, de 44 anos, foi preso no fim da tarde de ontem, acusado de obrigar 62 paraguaios - entre eles um rapaz de 17 anos e duas garotas de 14 - a realizar trabalho escravo no Brasil. As vítimas trabalhavam em uma confecção clandestina no bairro do Pari, região central da capital. Todos os paraguaios estavam em situação irregular no País. Quinze não têm nenhum documento.
"Na confecção só trabalhavam paraguaios nessa situação, assim ninguém poderia exigir nada", afirmou o delegado do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) Francisco Luppi, que registrou a ocorrência. "O coreano ainda passava uma imagem de protetor para os paraguaios, que cada vez mais ficavam nas mãos dele".
De acordo com informações da polícia, as vítimas trabalhavam de 12 a 14 horas por dia, sem contrato. O almoço era servido na própria mesa de trabalho. Ninguém era autorizado a sair da confecção, localizada em um prédio velho de três andares. "O local não oferecia nenhuma segurança aos funcionários", disse Luppi. "Havia muitos fios de eletricidade soltos, além de muitas máquinas".
A polícia só conseguiu chegar ao local por meio de uma denúncia anônima. "Foi horrível a cena que observamos logo que chegamos à confecção", disse o delegado. "Muitas das vítimas estavam doentes e precisamos levá-las para um hospital". Por semana - Segundo o delegado, cada funcionário recebia entre R$ 200,00 e R$ 400,00. "Eles não sabiam informar o valor exato, pois recebiam semanalmente de acordo com a produção de cada um"
contou Luppi. "Uns conseguiam tirar R$ 20,00 por semana, outros dizem que recebiam R$ 50,00, mas não há recibos".
A lista com os 62 nomes dos trabalhadores foi entregue ao Consulado Geral do Paraguai. "O consulado deve regularizar a situação das vítimas ou ajudar os paraguaios a voltar para seu país", completou Luppi. O coreano vai responder a processo por trabalho escravo. A pena pode chegar a 4 anos de reclusão. "Ele também deve responder por exploração de mão-de-obra estrangeira, além de empregar menores". Bolivianos - Em 9 de agosto, a polícia prendeu os bolivianos Daniel Jorge Manimi, de 34 anos, e René Willy Calli, de 23, acusados de obrigar pelo menos 28 compatriotas, de 18 a 23 anos, a realizar trabalho escravo. Nesse caso, as vítimas também estavam irregularmente no País. Elas trabalhavam em fábricas de roupas na região do Pari e Suzano, na Grande São Paulo. Os dois continuam presos no Brasil, onde respondem a processo por trabalho escravo.

mockup