Córdoba oferece vantagens tributárias à Volkswagen16/Mar, 16:01 Por Ariel Palacios Buenos Aires, 16 (AE) - O governo da província de Córdoba anunciou um amplo plano de benefícios que concedeu à Volkswagen para que esta empresa concordasse em realizar ali um investimento que estava sendo especulado para o Brasil. Entre os principais pontos obtidos pela empresa estão a isenção de impostos provinciais e municipais por um período que oscilará entre 5 e 10 anos. O governo provincial se encarregará de obras de infra- estrutura úteis à empresa, como estradas e esgotos. Além disso, a província aplicará um programa que eximirá a empresa do pagamento de encargos sociais nas novas contratações. A decisão da Volkswagen de instalar em Córdoba uma fábrica de caixas de câmbio proporcionará 2 mil novos postos de trabalho, e terá um investimento de US$ 210 milhões, que poderá ser ampliado para US$ 320 milhões. Os benefícios tributários e os estímulos industriais concedidos à empresa fazem parte de uma ampla estratégia do governador de Córdoba, José De la Sota, para impedir o êxodo de empresas de sua província ao Brasil, e também de atrair investimentos. De la Sota, que administra uma das províncias argentinas mais atingidas pela recessão e pela queda nas exportações ao Brasil, declarou que o governo federal deveria negociar "com mais dureza alguns aspectos do Mercosul". Referindo-se à desvalorização do real, o governador disse que a Argentina precisa "exigir do Brasil uma política de compensação de assimetrias, pelo menos, de forma provisória". De la Sota propõe um prazo de quatro anos de compensações, já que o Brasil "desvalorizou a moeda de forma unilateral, sem consultar ninguém. E isso nos prejudica muito". Além de De la Sota, outros governadores anunciaram sua indisposição com o principal vizinho do Mercosul: o governador da província de Santa Fé, Carlos Reutemann, declarou que "o Brasil quebrou o Mercosul quando desvalorizou sua moeda e mudou as regras do jogo. Desde então, ficou muito difícil para a Argentina competir". O governador da província de Buenos Aires, Carlos Ruckauf, também voltou a atacar o Brasil. Referindo-se ao subsídios industriais realizados pelos estados brasileiros, afirmou que "eles colocam o Mercosul em grave risco". A União Industrial Argentina (UIA) tampouco poupou críticas ao governo federal: em declarações à imprensa, seu secretário-geral, José Ignacio De Mendiguren, rechaçou a proposta do vice-chanceler Horacio Chighizola de lançar uma campanha "compre produtos do Mercosul". Segundo Mendiguren, é preciso lançar uma campanha de "compre produtos nacionais". O líder industrial também criticou a declaração de Chighizola de que a Argentina respeitará os resultados de tribunais internacionais sobre questões comerciais, como no caso recente dos têxteis, que favoreceu o Brasil. Mendiguren sustentou que o governo federal está auto-limitando seu direito à defesa na OMC.

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