Brasília, 24 (AE) - Uma evolução dos preços de petróleo e do risco Brasil numa trajetória pior do que a esperada diminui a probabilidade de cumprimento das metas de inflação para este ano e 2001 com a atual taxa de juros de 19% ao ano. Este cenário foi analisado na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, no último dia 16.
Embora a ata não revele qual a estimativa de preço para o petróleo com a qual o governo trabalha, deixa claro que havendo um aumento surpreendente será necessário aumentar os juros no mercado.
Segundo um técnico do BC, um aumento de juros teria impacto no risco Brasil. Ele explicou também que, o temor em relação aos preços do petróleo é porque no início do ano, o governo trabalhava com uma previsão de que este preço poderia chegar até US$ 23 o barril. Mas agora o governo já admite que pode ser maior e pode ficar em US$ 26 o barril. "Vai ser preciso aumentar o preço dos combustíveis", afirmou o técnico.
Na ata também estão apontados fatores de risco para a inflação futura no Brasil. O primeiro deles é a incerteza quanto à evolução dos preços administrados. No caso, as tarifas públicas. Pelo que o Copom considerou "cenário central", ou seja, aquele em que o atual nível das taxas de juros básicas garantiria o cumprimento das metas de inflação, as tarifas teriam este ano um aumento médio de 9,2%.
De acordo com a explicação de fontes do BC, com a expectativa de aumento superior ao esperado nos preços no petróleo, a elevação das tarifas poderá superar a média de 9,2%. Isso porque seria necessário elevar os preços dos combustíveis no mercado interno. A tendência de aumentos mais expressivos nas taxas de juros dos países desenvolvidos é outro aspecto que poderá ter impacto sobre a inflação no Brasil. De acordo com o documento, o risco de aumento dos juros no mercado internacional e do preço do petróleo são fatores que "não se dissiparam, ou até mesmo se agravaram, desde a última reunião do Copom". Ou seja, desde a reunião feita em 19 de janeiro.
De acordo com o documento, as fontes de pressão inflacionária continuarão a ser as mesmas já levadas em conta na primeira reunião do Copom este ano, em janeiro. Dentre essas fontes de pressão inflacionária são citadas a possibilidade de elevação dos juros norte-americanos e um provável aumento médio de 9,2% das tarifas públicas em 2000. Pelo lado positivo é apontado o cumprimento da meta de superávit primário para o setor público este ano, de R$ 36,7 bilhões. A ata do Copom também salienta a neutralidade do setor agrícola como fator de pressão inflacionária neste ano.
A ata afirma que há uma tendência de redução de inflação no primeiro trimestre de 2000. "Em particular, os indicadores antecedentes sugerem movimento de queda contínua da inflação no início do ano", diz a ata. Apesar disso, a ata do Copom diz que há previsões que trabalham com a possibilidade de pequeno aumento da taxa de inflação no segundo trimestre de 2000, em função de fatores sazonais.

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