Brasília, 16 (AE) - As taxas de juros básicas da economia continuam em 19% até março. A decisão foi tomada hoje pelo Comitê de Política Monetária (Copom), que pelo sexto mês consecutivo optou por fixar os juros neste nível, e sem viés. Isso significa que até o dia 22 de março não deverá haver qualquer mudança nos juros. Isso só seria possível com uma reunião extraordinária do Copom.
Os "riscos que ainda não dissiparam", segundo assegurou o diretor de Política Monetária do Banco Central, Luiz Fernando Figueiredo, determinaram a continuidade dos juros. Isso embora a inflação, segundo ele, já comece a exibir sinais favoráveis. Figueiredo não quis explicitar, no entanto, quais os riscos avaliados pelo Copom. Mas os analistas de mercado já antecipavam que o aumento do preço do petróleo e suas possíveis repercussões nos índices de inflação seriam considerados pela cúpula do BC.
O economista-chefe do Banco Santander, Dany Rappaport, criticou a manutenção dos juros em 19%, salientando que o atual nível das taxas é incompatível com a questão fiscal. Ele não vê sentido no fato de o governo fazer um ajuste de 3% do Produto Interno Bruto (PIB) e, ao mesmo tempo, pagar 8% do PIB em juros. "É uma grande transferência de recursos para os credores do governo", afirmou Rappaport. Para o economista, há pelo menos dois meses já havia espaço para redução e as taxas poderiam estar hoje em torno de 17%. Sobre os riscos de um aumento no preço do petróleo, Rappaport disse que, se tiver impacto na inflação não será recorrente.
Odair Abate, economista-chefe do Lloyds Bank, tem opinião diferente. Ele considerou que o Copom agiu certo. "Não foi conservadorismo", afirmou. "Eles deram uma atenção maior às variáveis de risco que hoje estão presentes", disse. Estas variáveis, destacou, são o problema do preço do petróleo, a possibilidade de aumento das taxas de juros americanas e recomposição das tarifas a partir de abril.
Abate destacou, no entanto, que o Copom poderia ter optado pelo viés de baixa indicando para a sociedade que o objetivo é de redução dos juros.
Ele disse que na próxima reunião, em 22 de março, alguns destes ítens vão estar mais claros e a possibilidade de redução dos juros vai se tornar mais viável. "Vamos ter uma clareza maior dos juros americanos e da tendência do preço do petróleo"
destacou. No dia 21 do próximo mês, o Federal Open Market Committe (Fomc), equivalente ao Copom do Federal Reserve (o banco central americano) fará reunião. Abate prevê que o nível de juros entre 17% e 17,5% ao ano só poderá ser obtido no final do ano.
Empréstimos - O Copom também manteve as taxas de juros cobradas nos empréstimos concedidos pelo Banco Central a instituições financeiras. No caso das linhas de curtíssimo prazo - até um dia - os tomadores de recursos do BC pagarão taxas equivalentes a taxa Selic (taxas das operações diárias do BC com o sistema financeiro cuja meta é definida pelo Copom) mais 6% ao ano. Nas linhas de até quinze dias, chamadas de curto prazo, as taxas correspondem a Selic mais 4% e nas de médio prazo (até 90 dias), o BC cobra Selic mais 2% ao ano.

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