Copom mantém juro básico em 19% e retira viés de baixa
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 10 de novembro de 1999
Por Soraya de Alencar 
Brasília, 10 (AE) - Preocupado com os índices de inflação acima do esperado, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve hoje as taxas de juros básicas da economia em 19% ao ano e retirou o viés de baixa que havia adotado na última reunião no dia 6 de outubro. "Não tem sentido ter viés", afirmou o diretor de Política Monetária do BC, Luiz Fernando Figueiredo. Segundo ele, o Copom preferiu ser conservador e esperar para ver qual vai ser o comportamento da inflação daqui para frente.
A decisão de hoje significa que até o dia 15 dezembro, data da próxima reunião do Copom, não haverá mudança nas taxas de juros. O patamar atual de 19% está sendo mantido desde o dia 22 de setembro mas, na última reunião, ao decidir pelo viés de baixa, o Copom indicou que poderia haver um recuo nos juros. "O Copom errou em outubro", afirmou uma fonte do mercado. Segundo ele, na época, os indicadores não permitiam um viés de baixa que finalmente foi retirado hoje.
Mesmo com a taxa em 19%, o Banco Central já vinha praticando 18,80% nas suas operações com o mercado. Na avaliação de Figueiredo, o fato de o Copom ter mantido o mesmo nível de juros não significa que hoje o BC não praticar uma taxa abaixo disso. "É um sintonia fina", disse o diretor, destacando que as operações com o mercado ficam sempre próximas à taxa decidida pelo Copom. Sobre o fato de o mercado já ter fechado contratos futuros hoje com taxas mais altas, também por causa do comportamento dos índices de inflação, Figueiredo disse apenas que "a nossa decisão não dependeu do que estava acontecendo no mercado".
Figueiredo explicou que ante os esperados 0,50% dos índices, eles têm ficado entre 0,80% e 1,10%. "Os índices estão acima do que esperávamos há um mês e meio atrás", confessou. E este comportamento, segundo o diretor, justifica que a preocupação com a inflação tenha tido o maior peso na decisão de manter as taxas de juros em 19% ao ano.
O diretor não quis falar, no entanto, sobre quais os fatores que têm gerado o maior impacto sobre a inflação. Ele disse apenas que, dentre outros aspectos, a elevação dos índices tem sido provocada pela sazonalidade. Figueiredo recusou-se a comentar se o câmbio tem sido um destes fatores de pressão. "É um conjunto de coisas", disse.
Nas quatro horas de reunião do comitê, o diretor do BC disse que foram feitas análises de toda a economia interna e também externa. Segundo ele, este processo é necessário para que o Copom possa tomar "uma decisão acertada e ponderada". E dessa vez o Comitê voltou a surpreender alguns analistas de mercado que, a partir do viés de baixa adotado na última reunião
chegaram a prever uma redução nos juros entre 0,25 ponto percentual e 0,50% ponto porcentual.


