Brasília, 21 (AE) - O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) voltará a se reunir às 16h30 de amanhã para tomar uma decisão sobre os juros básicos da economia. Os integrantes do Copom mais uma vez tomarão uma decisão tendo em conta dois cenários diferentes. O cenário externo inspirando cautela e o interno levando parte do mercado a acreditar na possibilidade de corte dos atuais 19% de juros anuais fixados pelo Copom.
A grande incerteza no cenário externo é o preço do barril de petróleo. O BC, de acordo com fontes da área econômica do governo ouvidas pela AGÊNCIA ESTADO, só acredita que terá uma perspectiva de mais longo prazo sobre a trajetória de preço desta commodity no mercado internacional depois da reunião dos países exportadores de petróleo no próximo dia 27. "Até lá haverá muita volatilidade do preço deste produto", comentou uma fonte consultada.
O temor do BC, neste caso, é que um eventual aumento do preço do petróleo no mercado internacional acima das expectativas provoque uma elevação das tarifas de gasolina no front interno. "Isto poderá ocorrer para garantir que a meta de superávit da conta petróleo do Tesouro Nacional seja cumprida", disse uma outra fonte do governo. Isto, por sua vez, pode impactar os índices de preços ao consumidor e levar o BC a manter sua austeridade para assegurar o cumprimento da meta de inflação de 6% para este ano.
Nas reuniões anteriores do Copom, os diretores do BC já trabalhavam com uma possibilidade de aumento das tarifas públicas em geral que provocaria uma elevação da inflação no início do segundo semestre deste ano. Esta expectativa, de acordo com fonte do governo, foi que levou o Copom a manter os juros em 19% até agora. "Uma ação de política monetária feita agora só surtirá efeito no segundo semestre e estamos sendo conservadores por sabermos que a inflação pode aumentar no início da segunda metade do ano", comentou esta fonte.
Por outro lado, os órgãos de pesquisa de preços têm divulgado recentemente índices de inflação abaixo das expectativas de mercado. "Os índices, em geral, têm saído abaixo do que se espera", disse uma fonte da área econômica do governo. O fato tem levado setores do mercado a achar que o isto abrirá espaço para o BC promover um pequeno corte dos juros e sinalizar para uma flexibilização da política monetária atual.
A queda na cotação do dólar no mercado doméstico também tem provocado expectativas de redução dos juros na reunião do Copom. O raciocínio de parte do mercado é que o dólar baixo demonstra que o governo não tem problemas para financiar o déficit nas contas externas e, portanto, não necessita deixar os juros num nível elevado.

mockup