Copom adia reunião para garantir participação de Fraga
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domingo, 28 de fevereiro de 1999
Por Soraya de Alencar e Gustavo Freire 
Brasília, 01 (AE) - A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) será conduzida pelo presidente-indicado para o Banco Central, Armínio Fraga. Prevista para ser realizada quarta-feira, a reunião foi adiada e será realizada na quinta-feira (04). Além de Fraga, todos os novos diretores - inclusive Luís Fernando Figueiredo, que conduzirá a política monetária - deverão participar da discussão e votar as novas taxas de juros que previstas para vigorar até o dia 14 de abril.
Adiar a reunião do Copom, pela primeira vez desde que o comitê foi instituído, foi a forma encontrada pelo governo para viabilizar a participação de Fraga e dos novos diretores. Isso porque somente na quarta-feira o plenário do Senado Federal apreciará os nomes de Fraga e dos diretores que foram aprovados pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) na última sexta-feira.
A exemplo do que ocorreu na comissão, o governo não tem dúvida da aprovação dos novos titulares do BC. Na quinta-feira, os nomes deverão ser publicados no Diário Oficial da União (DOU) e o ministro da Fazenda, Pedro Malan, poderá dar posse a Fraga e aos diretores. A transmissão de cargo - ou seja, a cerimônia em que Fraga receberá o cargo de Gustavo Franco - só será realizada na próxima semana.
Juros - Enquanto fontes do mercado prevêem um aumento da Taxa de Assistência do Banco Central (Tban), que hoje está em 41%, dentro do próprio governo não há qualquer consenso sobre a elevação da taxa. De acordo com analistas, o aumento da taxa seria uma forma de combater a inflação. "Mas ninguém sabe o que está na cabeça de Fraga", disse um analista.
A preocupação do governo, de acordo com uma fonte ouvida pela AGÒNCIA ESTADO, é deixar a taxa de juros real num patamar entre 10% e 12% nestes primeiros meses após a desvalorização do real. O problema do governo é que, no momento, ainda não há uma projeção segura para o comportamento da inflação para o ano. "Qualquer projeção agora é ruim", disse esta fonte, lembrando que os preços ainda estão sob o impacto da desvalorização do real.
A precaução, no entanto, tornaria possível, na visão desta fonte, a elevação dos juros. "Já tivemos juros negativos no mês de fevereiro", comentou esta fonte do governo.
Esta posição, entrentanto, não é compartilhada por outras fontes do próprio governo. A cautela, na opinião destas fontes, será a melhor estratégia a ser adotada. "O melhor seria não mexer na TBC e na Tban e deixar tudo como está", disse uma outra fonte da área econômica do governo ouvida pela AGÒNCIA ESTADO.
A preocupação, neste caso, é evitar análises do mercado no sentido de apontar uma trajetória insustentável da dívida pública interna. "A hora não é de levantar marola", comentou uma fonte. As duas correntes, no entanto, concordam que a TBC deve permanecer desligada e que os juros continuem sendo sinalizados diariamento pelas intervenções do BC no mercado aberto.


