Rio, 24 (AE) - Por engano, a cópia do novo estatuto da Petrobrás, votado na Assembléia Extraordinária da estatal realizada hoje, continha dois equívocos: em um, dizia que seriam 11 e não nove o número de conselheiros da estatal; o outro erro foi informar que a diretoria seria composta apenas de brasileiros natos, excluindo na prática, portanto, os naturalizadas - vale dizer, o próprio presidente executivo indicado, Henri Reichstul. Posteriormente, representantes da empresa avisaram sobre os equívocos e que eles seriam corrigidos na elaboração definitiva do estatuto. Um ponto importante é que a escolha de Reichstul não dependia de uma mudança no estatuto, pois desde a Constitutição de 1988 ficaram assegurados direitos iguais a brasileiros natos e naturalizados.
A Assembléia foi precedida de um protesto de cerca de 30 pessoas, entre sindicalistas e filiados do PDT, contra a permissão da participação estrangeira no capital acionário da Petrobrás. Os manifestantes começaram o protesto pouco antes das 13 horas e ficaram em frente à porta de vidro da sede da Petrobrás, cantando o Hino Nacional e o Hino à Independência. A Polícia Militar chegou a ser chamada para conter possíveis tumultos.
O presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET), Fernando Siqueira, chegou a tentar impedir formalmente a Assembléia. De acordo com ele os acionistas minoritários não tinham conhecimento mais detalhado sobre os nomes indicados pelo governo para integrar o Conselho. "Precisaríamos ter os currículos dos novos diretores e conselheiros", afirmou. Seu pedido foi negado pela Assembléia que, aliás, com a ajuda dos fundos de pensão, que detêm 891 milhões de ações da Petrobrás, elegeu como representante dos minoritários a presidente da Companhia Siderúrgica Nacional Maria Silvia Bastos Marques.

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