Copesul teve lucro 48,2% maior no ano passado6/Mar, 12:12 Por Sergio Bueno Porto Alegre, 6 (AE) - O aumento da capacidade de produção a partir de julho, associado à dolarização integral do caixa como estratégia de proteção contra a variação cambial, permitiu à Copesul elevar em 48,2% seu lucro líquido em 1999. A central de matérias-primas do pólo petroquímico de Triunfo fechou o ano com resultado de R$ 139,766 milhões, ante R$ 94,251 milhões em 1998. A rentabilidade sobre o patrimônio líquido de R$ 907,646 milhões foi de 15,4%, ante 11,1% no exercício anterior. A receita líquida da empresa cresceu 72,7% no período, para R$ 1,232 bilhão. Segundo o diretor financeiro, Régis Lemos de Abreu, o eteno e o propeno, principais petroquímicos produzidos pela Copesul, ficaram 77% e 106% mais caros, respectivamente, em 1999. A variação, contudo, foi inferior ao aumento de preço da nafta, matéria-prima utilizada pela central e que subiu 134% no ano acompanhando o comportamento das cotações do petróleo. O executivo informou ainda que o mercado apresentou uma resposta "muito rápida" à expansão da Copesul. Somente no caso do eteno, a produção passou de 685 mil para 1,135 milhão de toneladas anuais com a inauguração da nova unidade, que encerrou o ano operando a pelo menos 95% de sua capacidade. A demanda, segundo Abreu, foi garantida pela expansão de empresas de segunda geração (fabricantes de resinas termoplásticas) como a Ipiranga Petroquimíca e a OPP, do grupo Odebrecht. Em janeiro deste ano também começou a operar em Triunfo a planta da Innova, do grupo argentino Perez Conpanc, que produz estireno e poliestireno. Conforme o diretor, a proteção cambial adotada pela Copesul foi baseada na aquisição de títulos federais indexados ao dólar e em operações de swap sem caixa (pagamento de um prêmio aos bancos para garantir que a dívida que excede o caixa dolarizado fique atrelada a um indicador interno, no caso o CDI). A operação permitiu que a Copesul encerrasse o ano com uma despesa financeira líquida de apenas R$ 54 milhões. O valor é pequeno perto da dívida em moeda estrangeira da empresa, equivalente a R$ 880,6 milhões (de um total de R$ 1,2 bilhão, sendo 65% no longo prazo) no final do ano passado, comentou. Com a estratégia, o impacto negativo de R$ 279 milhões provocado pela desvalorização do real foi praticamente neutralizado pela receita de R$ 263,7 milhões em aplicações financeiras. Além disso, de acordo com o balanço da companhia, a posição ativa em dólar era de R$ 385 milhões em 31 de dezembro. Para este ano, Abreu prevê um cenário favorável do ponto de vista político e de mercado, mas afirma que a empresa vai continuar acompanhando de perto a volatilidade do câmbio. De acordo com ele, a Copesul também poderá importar nafta, aproveitando a autorização dada pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) às centrais petroquímicas. Embora os preços no mercado internacional estejam ainda mais altos do que os internos, a empresa tem condições de obter prazos maiores para pagamento no exterior, comentou. O diretor evitou maiores comentários aobre a intenção da Copesul de adquirir a Copene, a central do pólo baiano de Camaçari. Segundo ele, a companhia gaúcha já manifestou interesse em disputar o negócio, se possível em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) - que formou uma empresa de propósito específico com o grupo Ultra também para comprar a Copene. Abreu afirmou também que para a Copesul a substituição de Andrea Calabi por Francisco Gros na presidência do BNDES é "indiferente".