Porto Alegre, 15 (AE) - O presidente da Copesul, de Triunfo (RS), Luiz Fernando Cirne Lima, defendeu hoje a "fusão" da empresa com a Copene, de Camaçari (BA), para "fortalecer" e "perpetuar" o setor petroquímico nacional. A união das duas centrais constituiria, segundo ele, a sexta maior produtora de eteno do mundo, com capacidade de 2,335 milhões de toneladas por ano, superando os 2,276 milhões de toneladas anuais da BP Amoco.
No Brasil, isso corresponde a 82% da produção total da matéria-prima, além das 500 mil toneladas da Petroquímica União (PqU), de São Paulo, controlada pela Unipar, Petroquisa e Union Carbide. Cirne Lima já pediu ao presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Andrea Calabi, igualdade de condições em relação ao grupo Ultra na disputa pela aquisição dos 55,8% da Copene postos à venda pelos grupos Odebrecht, Mariani e Conepar (ex-Banco Econômico, sob intervenção do Banco Central). Na opinião dele, a Copesul é a mais indicada para ficar com a central baiana por afinidade de especialidades. "O grupo Ultra não opera uma central petroquímica".
A posição de Cirne Lima alinha-se às preocupações de setores do Congresso, do governo e do empresariado brasileiro em relação à "desnacionalização" de setores da economia. A ameaça maior, no caso das centrais petroquímicas, é a Dow Chemicals, que controla o pólo argentino de Baía Blanca, tem participações em indústrias de segunda geração e também está interessada na Copene.
A eventual concentração da maior parte da produção brasileira de matérias-primas petroquímicas nas mãos da nova empresa, conforme o presidente da Copesul, não representaria ameaça aos clientes da segunda geração (fabricantes de resinas termoplásticas). "Os contratos de fornecimento serão absolutamente cumpridos", assegurou.
Um analista de mercado especializado no setor reforça a idéia, porque a petroquímica tem que ser pensada em "termos de escalas mundiais". Segundo ele, as indústrias de segunda geração não são "amarradas" aos fornecedores nacionais, o que torna o caso Copesul/Copene diferente da situação da AmBev, a fusão das cervejarias Antartica e Brahma que vem sendo contestada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Conforme o presidente da Copesul, a forma pela qual o BNDES garantiria a igualdade entre os dois concorrentes nacionais ao controle da Copene ainda está "em aberto" e não precisa ser, necessariamente, uma Sociedade de Propósito Específico como a montada entre o banco e o grupo Ultra. Em caso de fracasso nas negociações, porém, a Copesul teria condições de captar créditos internos ou externos para se credenciar a um "empreendimento deste porte", explicou.
"Isto não é uma desfeita, pois não acreditamos em uma negativa do BNDES, que é o indutor dessa reestruturação", disse Cirne Lima. Ele está tentando agendar uma nova reunião com Calabi ainda para esta semana para aprofundar as propostas e deverá ser acompanhado novamente por Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, membro do conselho de administração do grupo Ipiranga, controlador da C opesul ao lado da Odebrecht. Segundo Cirne Lima
a Odebrecht não participará das negociações porque está presente nas "duas pontas" - Copesul e também na Copene.

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