Após quatro horas de uma tensa negociação, índios caingangues e a Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel) chegaram a um acordo sobre o valor da indenização por danos ambientais provocados pela usina construída na reserva de Apucaraninha, em Tamarana (62 km ao sul de Londrina). A Copel irá pagar R$ 14 milhões à comunidade, sendo 20% ainda este ano e o restante até 2011.
Mais de 50 caingangues foram à reunião realizada ontem à tarde, na Associação dos Funcionários Municipais de Londrina (AFML), usando pinturas e instrumentos de guerra. O encontro foi mediado pelo procurador da República em Londrina, João Akira Omoto, e acompanhado por antropólogas e representantes da Funai.
O diretor de geração de energia da Copel, Raul Munhoz Neto, veio de Curitiba trazendo uma proposta de indenização no valor de R$ 9 milhões, sem correção monetária desde 2002 (ano-base das negociações). Os caingangues consideraram a cifra inaceitável, uma vez que reivindicavam R$ 15 milhões. Houve exaltação e a reunião foi interrompida três vezes, para que os índios discutissem as propostas reservadamente.
O acordo foi fechado em R$ 14 milhões, valor superior ao que havia sido autorizado pela Copel em Curitiba, segundo Munhoz Neto. ''Levamos em conta a argumentação da comunidade. Com esse valor, estamos não só fazendo a compensação ambiental, mas zerando eventuais pretensões de danos morais e culturais'', afirmou o diretor.
O cacique de Apucaraninha, Juscelino Vergílio, concluiu que foi um bom negócio. ''A gente nem imaginava que chegaria a isso'', comentou. O procurador da República avaliou a negociação como ''um trabalho sem precedentes'', em que foi possível se chegar a uma valoração econômica de danos ambientais. ''Esse acordo dá segurança à empresa e será muito útil para a comunidade indígena'', concluiu.
Há 10 dias o clima vinha era tenso na reserva, onde os caingangues ameaçavam queimar a hidrelétrica da Copel e mantiveram funcionários como reféns. Desde que as negociações foram iniciadas, há cinco anos, vários protestos ocorreram no local. A usina foi construída em 1949.
Um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) deve ser assinado no dia 30 de novembro. Ele prevê o pagamento de 20% do valor total da indenização em 12 de dezembro deste ano, dinheiro que deverá ser distribuído entre as famílias (cerca de 1,5 mil pessoas) da reserva. O restante será dividido em cinco parcelas anuais.
Oitenta por cento do dinheiro serão empregados em projetos sócio-ambientais e auto-sustentáveis, com duração de até 20 anos. O dinheiro irá para um fundo gerido por um comitê formado por representantes da comunidade indígena, Copel e Funai. O cacique caingangue adiantou que o recurso pode ser usado em projetos agrícolas, de reflorestamento e de turismo no Salto do Apucaraninha.''Nossa maior carência é na agricultura. Temos apenas dois tratores e precisamos de maquinário e implementos'', observou.

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