Copel defende usinas e faz estudo ambiental
PUBLICAÇÃO
sábado, 28 de junho de 1997
Da Redação 
A construção de barragens no rio Tibagi, sobretudo na região de Jataizinho, é uma realidade cada vez mais próxima. Segundo o superintendente de distribuição da Copel no norte do Paraná, Elmar Lopes, a expectativa é que até o final deste ano o Departamento Nacional de Águas e Energia Elétrica (DNAEE) abra licitação para construção e exploração das usinas hidrelétricas de Jataizinho e Cebolão, aproximadamente 35 quilômetros distante da primeira. Cada obra deverá demorar em torno de três anos e meio do início até a conclusão.
A Copel já terminou os estudos de viabilidade técnica e econômica e só falta agora a conclusão do Relatório de Impacto Ambiental, ou Rima, que antes de ser enviado ao DNAEE deverá ser aprovado pelo Instituto do Meio Ambiente do Paraná (IAP). O Rima está sendo produzido por uma equipe de técnicos contratados pela própria Copel para conhecer a realidade ambiental da região atingida pelas barragens.
Os estudos feitos pela Copel são amplos e vão desde levantamentos topográficos, geológicos, sócio-econômicos, de qualificação da fauna e flora, até o detalhamento na construção de cada usina e os custos da obra. Além das duas usinas citadas, o rio Tibagi poderá abrigar em toda a extensão outras cinco, desde a nascente, próxima a Curitiba, até a foz em Jataizinho: Santa Bárbara, Tibagi, Telêmaco Borba, Mauá e São Jerônimo. Juntas, as sete poderão gerar mais de 1.350 megahertz de potência.
Elmar Lopes explica que tecnicamente é viável começar a série de barragens pela foz, por isso a opção pelas usinas de Jataizinho e Cebolão. Cada uma deverá custar em torno de 200 milhões de dólares, pagos integralmente pelo vencedor da concorrência - a Copel, apesar de organizar os estudos, só poderá participar da licitação como concorrente, inclusive formando consórcios de capital interno e externo. O investimento será recuperado através da exploração comercial da energia elétrica.
O superintendente da Copel acredita que a construção das usinas é importante não só para o Estado como também para toda as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Isso porque, explica Lopes, o sistema de energia elétrica nessas regiões é interligado. Não existe usina que atende uma só cidade. Quando uma usina tem algum problema, ela passa a pegar energia de outra, informa.
Além disso, destaca Lopes, existe o aspecto econômico do empreendimento, principalmente com geração de emprego. A usina é uma indústria de energia, com atividade econômica permanente.
A principal característica que aponta a necessidade da construção de novas usinas, no entanto, é mesmo a demanda. A preocupação é muito séria, porque a partir do Plano Real e da estabilização da economia o consumo de energia cresceu muito. Por isso há projetos de construção de usinas no país inteiro, diz. E, se essas usinas não foram feitas, em cinco anos haverá falta de energia.
Segundo Elmar Lopes, o crescimento do consumo gira atualmente em 6% ao ano, ou seja, a cada 12 anos aproximadamente o volume total de energia consumida no Brasil dobra. Daí a necessidade do planejamento e de projetos feitos com antecedência, já que só a construção de uma obra desse porte demora pelo menos três anos para ser concluída.
Sobre a questão da incompatibilidade entre preservação do meio ambiente e construção de barragens, o superintendente da Copel admite que o impacto ambiental é inevitável. Mas, segundo ele, a companhia tenta fazer com que este prejuízo seja o menor possível. O que tem que se encontrar é uma forma de convivência razoável. Mesmo porque a decisão, no fundo, é da própria sociedade, que quer crescer. E sem energia não tem solução.
Em relação à usina de Jataizinho, o maior problema apontado pelos ambientalistas é que, com o represamento do rio, uma parte considerável da mata Doralice será alagada. A mata é um dos últimos lugares no Estado que mantém vegetação nativa, com variedade de espécies animais e vegetais. Sem contar algumas espécies de peixes que habitam o Tibagi na região e que também poderão desaparecer.
Pelos estudos premilinares apresentados pela Copel, os números referentes à mata Doralice podem ser considerados preocupantes pelos ambientalistas. Do total de 101,8 hectares, mais de 30% da mata primária (ainda intacta) ficará submersa. Em relação à mata secundária (não intacta), a situação é ainda mais crítica: do total de 66,7 hectares, 50 serão afetados pelo lago.
Apesar desses dados, Elmar Lopes prefere esperar a conclusão do Rima, com dados conclusivos sobre qual o impacto ambiental a região sofrerá, para depois comentar. Ele apenas adianta que a opção da companhia é preservar ao máximo as áreas nativas além de promover o reflorestamento de áreas devastadas a partir da mata remanescente. O repovoamento do rio com espécies de peixes nativas, principalmente comerciais, também fará parte do projeto. E a geração de energia elétrica, além de ser mais barata, promove um impacto ambiental muito menor em comparação, por exemplo, ao urânio, carvão ou óleo.
Junto aos estudos de viabilidade, a Copel também está promovendo reuniões com a comunidade de Jataizinho e Ibiporã. O objetivo dessas reuniões é deixar a população informada, esclarecer dúvidas e mostrar os benefícios que as usinas vão trazer para a região. Em Jataizinho, por exemplo, serão alagados 2.240 hectares de terra, atingindo 176 propriedades. Dessas, apenas 11 estarão totalmente alagados.
(Lúcio Horta)


