Copel admite mudar traçado de linhas da Gleba Palhano
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sexta-feira, 02 de agosto de 2013
Lucio Flávio Cruz<br>Reportagem Local 
Londrina A Copel admitiu a possibilidade de mudar para a PR-445 o traçado das linhas de transmissão que passariam sobre a região da Gleba Palhano, na zona sul de Londrina, e que ligariam a nova subestação Canadá, a ser construída no Jardim Maringá, até a subestação Igapó. A informação foi repassada ontem pela empresa em duas reuniões técnicas realizadas com moradores.
A instalação de superpostes gerou protestos por parte da população e a companhia suspendeu temporariamente os trabalhos. Segundo o diretor de Distribuição da Copel, Vlademir Daleffe, quando os estudos para a construção da subestação se iniciaram não era possível levar em conta a hipótese da rodovia, já que o Estado pretendia duplicar a via, mas ainda não havia projeto e isso poderia obrigar uma mudança das linhas no futuro.
Com a obra da duplicação em andamento, Daleffe explicou que a Copel fez um novo estudo preliminar que indicou que é possível fazer este remanejamento sem onerar muito o investimento já previsto. "Precisamos agora de uma solicitação formal por parte do município e da liberação dos órgãos ambientais. Essa mudança vai atingir cerca de dois quilômetros das linhas", afirmou. Em virtude disso, a Copel aceitaria adiar em seis meses a conclusão das obras, que ficaria para julho de 2014.
Por outro lado, a companhia garante que não é possível modificar o traçado das linhas que ligariam a subestação Canadá até o Jardim Bandeirantes 2 e que passariam pela região do Jardim Presidente, na zona oeste. "Não existe outro caminho para este trecho. É a única opção. Tecnicamente foi o melhor caminho encontrado", ressaltou Daleffe.
Durante a colocação dos superpostes, vários moradores protestaram e chegaram a impedir a continuidade dos trabalhos. Muitos superpostes seguem espalhados por canteiros de vários bairros. "Esperamos retomar os trabalhos já na próxima semana", informou Daleffe.
De acordo com a Copel, construir linhas de transmissão subterrâneas é "financeira e tecnicamente inviável". "O custo chega a ser 20 vezes maior. É possível apenas fazer conexões e não linhas de 10, 11 quilômetros como essa", relatou Daleffe.
A Copel pretende instalar uma subestação no Jardim Maringá para atender 36 mil domicílios em um investimento de R$ 25 milhões. A subestação vai operar na tensão de 138 mil volts e será interligada por 10,8 quilômetros de linhas de transmissão com às unidades Igapó e Bandeirantes 2.
"As subestações não causam nenhum transtorno como ruído e possibilidade de incêndio ou curto-circuito. Os níveis dos campos eletromagnéticos de uma estação da Copel são dez vezes menores do que preconiza a lei. Os aparelhos que temos em casa, como secador de cabelo ou barbeador, causam mais efeitos que uma subestação", garantiu o superintendente de obras de Transmissão, Nilberto Lange Junior.
A promotora do Meio Ambiente, Solange Vicentin, instaurou um procedimento para apurar a denúncia de um morador que informou que o traçado aprovado para a Gleba Palhano pela administração municipal teria atendido interesses particulares. "As linhas passariam por algumas vias em detrimento de outras conforme a vontade de algumas pessoas. Queremos saber se o traçado aprovado era o mais indicado mesmo", declarou a promotora.
Na quarta-feira, o juiz da 2ª Vara da Fazenda Pública de Londrina, Emil Gonçalves, extingui sem resolução de mérito a ação protocolada pela Copel contra alguns moradores do Jardim Presidente, que impediram a instalação dos superpostes. Na decisão, o juiz informa que é "incabível a tutela possessória" por ferir a liberdade pública de ir e vir garantida pela Constituição.


