Londrina - Em 10 anos, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) diz que as instituições financeiras triplicaram os investimentos na segurança física das agências espalhadas pelo País. Os valores teriam passado de R$ 3 bilhões em 2003 para R$ 9 bilhões em 2013, um crescimento de 200%. Isso inclui gastos também na adoção de novas tecnologias para tentar coibir a explosão de caixas eletrônicos, uma prática criminosa que aqui no Paraná tem se disseminado de tal forma que as quadrilhas estão cada vez mais especializadas. Uma delas, desmantelada mês passado em Curitiba, tinha sete policiais militares envolvidos, um deles atuando como líder do bando.
Só que os investimentos ainda são insuficientes, segundo a Polícia Civil e os bancários. "O que impressiona nesse tipo de ação criminosa é a facilidade e rapidez com que os bandidos agem. É um dinheiro muito fácil, mas não tem dispositivo de segurança à altura. Nos últimos seis meses, prendemos mais de 40 pessoas. A polícia vem fazendo sua parte, o que precisamos é evoluir em termos de proteção para evitar que esse crime aconteça e isso passa por uma revisão nos dispositivos de segurança que os caixas eletrônicos devem ter", afirma o delegado titular do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), Luiz Alberto Cartaxo Moura. O órgão atua no combate aos crimes contra os estabelecimentos bancários.
Na avaliação do Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região, os recursos empregados pelas instituições financeiras em segurança ainda estão muito aquém do necessário para evitar os roubos aos caixas eletrônicos e às agências. "Nós vemos carência na segurança pública, mas a responsabilidade de investimento constante na segurança interna dos estabelecimentos, e isso inclui os caixas eletrônicos de autoatendimento, é do sistema financeiro. E o investimento está muito aquém do ideal", afirma o secretário geral da entidade, Antônio Luiz Fermino. Segundo ele, nos últimos 45 dias foram registradas quatro explosões a caixas eletrônicos na Capital.
O sindicalista lembra que em Curitiba as agências da Caixa Econômica Federal já adotaram medidas preventivas para reforçar a segurança nos equipamentos de autoatendimento, reduzindo a quantidade de notas disponíveis para saque após o expediente bancário. Nos finais de semana, os caixas ficam sem dinheiro. "Mas isso não evita os eventos explosivos. O dispositivo de manchar as notas poderia ser adotado pelas agências, mas só é utilizado nos caixas 24 horas. Talvez seja por isso que não ouvimos falar em casos de explosões nessas máquinas", observa Fermino.

Investigação

A quadrilha presa em novembro na Capital agia principalmente em municípios da Região Metropolitana de Curitiba, como Colombo e Rio Branco do Sul, com a participação de sete policiais militares entre os 24 integrantes. A Justiça autorizou a divulgação de vídeos que mostram a participação efetiva dos PMs nas ações. Dos sete policiais presos provisoriamente, apenas um, que é o líder da quadrilha, teve a prisão preventiva decretada pela Justiça e segue detido. Os outros seis foram afastados das funções.
"Dois PMs eram participantes diretos da quadrilha, um deles é o chefe e está preso. Os outros tinham participação indireta, seja dando cobertura à distância ou gerando falsas ocorrências e pedindo para não atuar nas regiões em que sabiam que os bandidos agiriam", explica Cartaxo, destacando que as operações do Cope foram feitas em conjunto com a Corregedoria da Polícia Militar e consentimento do comando da corporação. Doze integrantes da quadrilha permanecem presos preventivamente e cinco estão foragidos. A polícia tem mandados de prisão contra eles, mas ainda não sabe de seu paradeiro.
Além da implantação de dispositivos de segurança que inibam a ação dos bandidos, como um tinteiro que mancha as notas, Cartaxo diz que os bancos também devem aperfeiçoar os procedimentos internos de segurança de modo a evitar o vazamento de informações privilegiadas que chegam até os criminosos. "As abordagens dos bandidos são feitas em caixas eletrônicos carregados com dinheiro. Eles têm informações privilegiadas, que partem de quem faz a reposição dos equipamentos. As agências têm que cercar os procedimentos de segurança de forma que os bandidos não tenham acesso a essas informações", aponta.

Quadrilha presa em novembro tinha sete PMs entre os 24 integrantes
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