Curitiba- O secretário-executivo da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), Ahmed Djoghlaf, fez uma avaliação positiva da 3 Reunião das Partes do Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança (MOP-3). Segundo ele, a reunião bateu recordes em termos de representação dos países e número de participantes (cerca de 1 mil). Apesar do impasse sobre a questão mais polêmica - a identificação dos transgênicos - Djoghlaf disse que decisões sobre outros 22 pontos do Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança foram apresentadas, o que, para ele, representou um importante avanço.
Foram acertadas, na MOP-3, por exemplo, o repasse de US$ 60 milhões para a estruturação das atividades do Centro de Intercâmbio de Informações sobre Biossegurança (Biosafety Clearing House - BCH) e outros US$ 8 milhões para países em desenvolvimento investirem na capacitação novas ações para efetivação. O dinheiro virá do Fundo Global para Meio Ambiente das Nações Unidas (GEF - Global Environment Facility).
Djoghlaf apostava no consenso para o artigo 18 do protocolo, que dispõe sobre identificação dos Organismos Vivos Modificados (OVMs) nas movimentações transfronteiriças. ''Com isso, Curitiba terá tido um reunião histórica de chegar a um consenso sobre algo que não conseguiu ser resolvido em oito anos'', declarou à tarde. Ele elogiou a iniciativa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em intervir para que o Brasil apresentasse uma proposta de equilíbrio. ''É a primeira vez que um chefe de Estado se envolve diretamente numa questão dessa'', acrescentou.
As delegações mal terão tempo para respirar e já começam, hoje, a articular posições para a 8 Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP-8), que será aberta oficialmente na segunda-feira. A cerimônia para recepcionar os participantes será, amanhã, no Jardim Botânico.
Segundo Djoghlaf, quase 2,7 mil delegados de 103 países já se inscreveram. O tema chave da COP-8 será a redução da taxa de perda da biodiversidade. Os assuntos mais apimentados serão a repartição de benefícios pelo uso de recursos genéticos e compensação de comunidades locais pelo uso de conhecimentos tradicionais.(A.L.)

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