Curitiba - A Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba possui um programa de saúde mental que atende em média 54 mil pacientes por mês. Destes, aproximadamente 50% são dependentes químicos.
Segundo Cristiane Venetikides, coordenadora do programa, na estrutura de atendimento a questões de saúde mental, a capital paranaense possui uma rede de serviços que tem início nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs), até chegar aos Centros de Atenção Psicossocial (Caps). Destes, seis são destinados exclusivamente para dependentes de álcool e drogas, sendo cinco para adultos e um para crianças e adolescentes.
Cristiane relata também que Curitiba possui atualmente 400 leitos de hospital-dia (em que o paciente chega pela manhã e fica até o final da tarde) e 143 leitos de internação integral em hospitais conveniados ao Sistema Único de Saúde (SUS) exclusivamente para casos de dependência química.
Além disso, a secretaria mantém os chamados consultórios de rua, em que profissionais de saúde saem uma noite por semana para atender moradores de rua que fazem uso de substâncias tóxicas. Em média, a cada saída, 60 pessoas são atendidas.
''O maior gerador de encaminhamentos (para a rede de serviços) é o alcoolismo. O crack é de mais difícil tratamento. Ele tem uma implicação social muito grande. Não é apenas uma substância para uso e obtenção de prazer. Várias famílias vivem da venda do crack, muitos jovens trabalham no tráfico. É algo que extrapola a questão da saúde pública'', explica a coordenadora.
''Curitiba tem atualmente todos os equipamentos preconizados pelo Ministério da Saúde para atendimento de dependentes químicos. Mas ninguém tem hoje o mecanismo adequado para atender o dependente de crack. Todos os municípios e Estados têm a mesma dificuldade. É raro a pessoa querer se tratar. E, quando o faz, fica num período de abstinência e logo volta para a droga. Sem motivação interna, a pessoa não para de usar, e a maioria dos jovens que utiliza o crack hoje não quer parar'', aponta Cristiane.
Ela cita o fator social que já havia mencionado anteriormente e o grande poder de viciar da droga como os maiores complicadores. ''O padrão dos usuários de drogas hoje é muito diferente do perfil de 30 anos atrás, porque hoje há drogas mais potentes e uma realidade social diferente. Quando você vê ídolos da Seleção Brasileira de futebol fazendo propaganda de cerveja, parece que cada Caps que você abre é apenas para 'enxugar gelo''', argumenta.(Fábio Galão/Equipe da Folha)

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