Brasília, 09 (AE) - Mais de meio milhão de pessoas sofreram, nos últimos cinco anos, algum tipo de doença causada pelas Lesões por Esforços Repetitivos (LER), revelou a coordenadora nacional da organização não-governamental (ONG) Programa de Prevenção às LER/Dort, Maria José ONeill. Entre as patologias mais conhecidas estão a tenossivite, a tendinite e a bursite.
A doença tem como sintomas principais a fadiga mucular - sensação de peso e cansação no membro afetado -, formigamentos, fisgadas, avermelhamento da pele, calos localizados, crepitações (rangidos), dormência e perda de força muscular e dos reflexos. As LERs também estão inseridas entre as doenças ocupacionais e ainda não têm um tratamento padrão por serem consideradas "novas".
A jornalista Maria José, que pesquisa as doenças ocupacionais no País há cinco anos, tem LER nos dois braços e na coluna, e foi obrigada a abandonar a profissão. Ela conta que um em cada 100 trabalhadores da região Sudeste é portador da doença. O custo médio de tratamento é de R$ 89 mil por funcionário no primeiro ano de afastamento. A doença atinge hoje 64,9% dos bancários em atividade e 27,9% dos digitadores. Entre os jornalistas, o índice de afetados é de 8,6%. A maior incidência é verificada em pessoas na faixa etária de 30 aos 40 anos. Livro - Maria José ONeill, que lançará nos próximos dias o livro "LER/DORT, o desafio de vencer", alerta sobre a necessidade de campanhas de prevenção e conscietização em relação à doença, a exemplo do que ocorreu nos Estados Unidos a partir de 1995. Ela proferiu hoje, na Câmara dos Deputados, palestra sobre as LERs, também denominadas Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT). O seminário foi promovido pela Associação Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil (Anabb), que lancou cartilha de 34 páginas - ela será distribuída em todo o País - ensinando como a pessoa deve agir para previnir-se da doença.
A jornalista sugere que outras categorias funcionais entrem na campanha. "A sociedade brasileira desconhece o problema e vai pagar caro, se não agirmos rapidamente, por essa falta de informação", alerta Maria ONeill. Para ela, a saída para enfrentar os problema seria os empresários começarem a repensar a políticas de recursos humanos de suas empresas. "É tempo de unirmos os empresários, os trabalhadores e o governo para uma ação integrada sobre as LER/DORT no País".

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