Coordenador do Napio nega acusações e denuncia professores; MP apura denúncias
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quarta-feira, 06 de outubro de 1999
Por Jair Aceituno, especial para a AE 
Bauru, SP, 07 (AE) - O coordenador científico do Núcleo de Apoio à Pesquisa de Implantes Odontológicos (Napio), da Universidade de São Paulo (USP), em Bauru, Aguinaldo Guimarães Júnior, reuniu a imprensa para negar as acusações de envolvimento em supostas irregularidades no núcleo e denunciar que professores da Faculdade de Odontologia de Bauru, contratados em regime de tempo integral, ministram cursos de especialização paralelos, pagos, em quatro instituições criadas por eles mesmos. As instituições funcionariam dentro e fora do campus, em Bauru, Juiz de Fora (MG), Londrina (PR), Recife (PE) e outras localidades. Guimarães Júnior já havia levado as mesmas denúncias, em maio, ao Ministério Público Federal.
Segundo o coordenador do Napio, seus colegas valem-se dos títulos e da posição que ocupam na USP-Bauru, onde ganham cerca de R$ 4 mil mensais, e ministram cursos paralelos cujo rendimento giraria em torno de R$ 20 a 30 mil por mês. "São cursos de 500 horas de duração que jamais conseguiriam ministrar sem prejudicar as atividades na universidade", acusa. De acordo com Guimarães Júnior, enquanto os cursos paralelos englobam matérias altamente modernas e sofisticadas, o currículo oficial da Faculdade de Odontologia de Bauru continua o mesmo há 20 anos. Informações - De posse das informações, o procurador da República Pedro Antônio de Oliveira Machado, que já ouviu os acusados em um inquérito civil instaurdo na procuradoria, oficiou o presidente do Conselho Federal de Odontologia, Jacques Narcisse Henri Duval, o procurador-geral de Justiça de São Paulo
Luiz Antônio Guimarães Marrey, e o reitor da USP, Jacques Marcovitch, sobre tudo que foi apurado e pedindo providências. Ao Ministério Público Federal caberá apurar a prática de sonegação fiscal por parte dos professores que, como autônomos, teriam de pagar 27% de imposto de renda, mas só recolhem 10%.
Já à universidade, que abriu sindicância interna, compete apurar as denúncias de que os cursos e entidades que os ministram funcionam irregularmente e se os professores, funcionalmente, teriam de fato desrespeitado o regime de dedicação exclusiva. Polícia - Hoje pela manhã, o coordenador do Napio compareceu ao 3º Distrito Policial, no centro da cidade, onde registrou boletim de ocorrência de preservação de direitos. Segundo ele, ao chegar para o trabalho, hoje, encontrou a sede do núcleo lacrada e protegida por guardas, por ordem da administração da Faculdade de Ondotologia. O diretor da escola, Aymar Pavarini, disse que só falará sobre o assunto na próxima semana quando a comissão que analisa o Napio tiver concluído seus trabalhos.


